Arquitectura religiosa tardo-medieval e pintura mural: relações litúrgicas e espaciais

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Arquitectura religiosa tardo-medieval e pintura mural: relações litúrgicas e espaciais

Lúcia Maria Cardoso Rosas*

A pintura mural, sobretudo a de motivação religiosa porque é mais abundante, é um dos temas caros da actual investigação em História de Arte. Nos últimos anos um número muito apreciável de vestígios ou conjuntos de pintura, foram descobertos e/ou valorizado, no âmbito decriteriosas campanhas de conservação e restauro. Sob camadas de cal ou ocultos por estruturas parietais e retábulos da época barroca, estes novos exemplares colocam questões de classificação iconográfica, cronológica e estilística cujo estudo começa agora a apresentar os primeiros resultados1. Destacamos os frescos das igrejas de Vila Marim e Folhadela (Vila Real), de S. Francisco de Bragança, de SantaLeocádia de Chaves, da galilé da Sé de Braga e as notáveis pinturas quatrocentistas de S. Francisco de Leiria, entre muitos outros exemplares. A descoberta de conjuntos ou de resíduos de pintura mural tem sido centrada essencialmente nas questões da conservação e do restauro – critérios de intervenção, diagnósticos e técnicas de limpeza, tratamento e consolidação – e da investigação, no âmbitoda disciplina da História da Arte.

*Departamento de Ciências e Técnicas do Património – Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
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Nos últimos anos a pintura mural dos séculos XV e XVI tem merecido o interesse de vários autores. V.g., entre

outros, Dalila Rodrigues, "A pintura mural portuguesa na região Norte. Exemplares dos séculos XV e XVI" in A Colecção de pintura do Museu deAlberto Sampaio. Séculos XVI-XVIII. Lisboa: I.P.M., 1996; Maria Margarida Botto, Elementos para o Estudo da Pintura Mural em Évora durante o Período Moderno. Évora: dissertação de Mestrado apresentada à Universidade de Évora, 2 vols., 1998; Luís Afonso, As Pinturas Murais da Igreja do Convento de S. Francisco de Leiria. Lisboa: dissertação de mestrado apresentada à F.C.S.H. da U.N.L., 1999, 2 vols.Joaquim Inácio Caetano, O Marão e as oficinas de pintura mural nos séculos XV e XVI. Lisboa: Aparição, 2001; Catarina Valença Gonçalves Vilaça de Sousa, As Pinturas Murais Tardo-Medievais do Concelho de Belmonte. Belmonte: Câmara Municipal de Belmonte, 2003 (tema que a autora desenvolveu na sua dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2001) e PaulaBessa, Pintura Mural na Igreja de Santa Maria Madalena de Chaviães. Melgaço: Câmara Municipal de Melgaço, sep. do Boletim Cultural de Melgaço, 2003, entre outros trabalhos de grande valia. Encontram-se actualmente em curso três dissertações de doutoramento que abordam as diversas temáticas da pintura mural. A este tema dedicam-se: Paula Bessa (Universidade do Minho), Luís Afonso (Faculdade deLetras da Universidade de Lisboa) e Catarina Vilaça de Sousa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Univerdidade Nova de Lisboa. Àcerca do presente estado de investigação do tema veja-se: Luís Afonso, “A pintura mural dos séculos XV-XVI na historiografia da arte portuguesa: estado da questão”, Artis. Revista do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa. n.º 1, Out., 2002,pp. 119-137;

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O livro da autoria de Joaquim Inácio Caetano - O Marão e as oficinas de pintura mural nos séculos XV e XVI. Lisboa: Aparição, 2001 – decorrente dos trabalhos que desenvolveu como conservador-restaurador, deu um novo impulso à desejável interdisciplinaridade, sugerindo afinidades estílisticas, cruzando o conhecimento das técnicas da pintura mural com a investigação. Esboçaainda as premissas de outras questões: como saber optar pela exposição de uma pintura mural ou do altar que até então a encobria, ou de ambos, o que acarreta a alteração do espaço litúrgico e o transforma em espaço museológico. No caso (e são muitos os exemplares) de uma pintura patentear várias camadas de intervenção pictórica, será legítimo optar por uma mais antiga, destacando a que lhe de valor...
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