"Breves apontamentos sobre a história da ilha do faial (açores) no incicio do sec xx

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Breves apontamentos históricos sobre a ilha do Faial (Açores) no início do sec XX
(a partir do livro A Verdade Vence, de António Batista)


“Então, o luminar açoriano, após alguns minutos de recolhimento- que estas coisas de mor alcance não brotam sem espremedela - teve a famosa , para ele salvadora lembrança de contrapor a essa visita honrosae benéfica para todos nós17, a dum grupo de notáveis - que tanto, senão mais, o fossem pela sua animadversão ao regime, como na ciência, nas letras e nas artes(...). Graças a Deus, no pequeno Portugal, tão escasso de pão, pululam as notabilidades “.
In “A Verdade Vence”, de António Baptista

“Não se podeimaginar um espectáculo mais admirável do que o dado por todas as sociedades açoreanas na forma gentilíssima, inexcedível de brilho e afectuosidade, como receberam os seus visitantes e na constante afirmação que, por toda a parte, fizeram dos seus sentimentos de carinhosa e fraternal hospitalidade, ao mesmo tempo que iam desenrolando aos olhos dos seus olhos as belezas das diferentes ilhas, asmanifestações do seu trabalho, do seu espírito de iniciativa, do seu labor inteligente”

in, Os Açores, Revista Ilustrada, Agosto de 1924, nº10

O Faial é uma ilha com difíceis condições de vida, no início do século XX. A agricultura atravessava uma crise profunda e a produção de trigo estava em queda. Com a perda da produção de vinho e dalaranja, o comércio reduzira drasticamente e a indústria restringia-se à transformação da baleia, levada a cabo pelas denominadas Companhias Baleeiras e à produção de artefactos de linho, algodão e de lã, para auto-consumo. A maior afluência de estrangeiros na cidade da Horta, fez promover uma pequena indústria, artesanal, em trabalhos de crivo, bordados de palha em filo, “ mimosos trabalhos em miolode figueira” . Apesar da Empresa da Iluminação eléctrica da Horta ter uma “administração modelar”, fornecia energia para a iluminação pública da cidade e para a indústria, como a Moagem, que desde 1914 laborava, prosperamente, “abastecendo de farinha todo o distrito”...

A esta ilha “da Ventura” chegou o Dr. José Bruno e os seus ilustres convidados. Uma ilha sem comércio, sem indústria - “mascom alegria” , uma ilha que “ à cultura do cérebro e aos progressos morais, prefere o adestramento do pé, para os triunfos do football e para o gozo das danças.” Uma realidade sócio-cultural peculiar, “em que ninguém quer saber do que se passa nas sessões camarárias, cujas deliberações dizem respeito aos interesses vitais da terra; mas todos buscam informar-se do que se passa nas reuniões solenesda direcção do Amor da Pátria e da do Grémio Faialense”, a vinda atribulada dos intelectuais à ilha do Faial só poderia produzir uma enorme “azáfama”, para a constituição de uma Comissão de intelectuais, “à altura” de receber os “confrades continentais”.

Para o efeito “nomearam-se comissões e sub-comissões, adjuntos e adjuvantes”, houve “reuniões espalhafatosas no Amor da Pátria e em Sant’Ana-na câmara baixa e na câmara alta”- fazendo “panegírico da sábia missão de estudo”. No entretanto, a cidade da Horta paralisara enquanto aguardava a chegada do coronel Afonso Chaves para programar a recepção. À chegada do emissário pensaram-se as questões práticas, como acolhimento digno dos intelectuais e a “recepção triunfal”, o Sarau no Teatro Faialense.

E são estes os factos que, segundo obrilhante e contundente jornalista de "A Verdade Vence" antecederam “os trágicos acontecimentos (...) do dia 16 de Junho de 1924, que toldaram o espelho das tradições faialenses e que por um triz não roubaram a Portugal uma plêiade brilhante de sábios e de artistas”.

Eram quatro horas da tarde quando “o céu se começou a toldar” e os sinais de capelo rodearam a montanha, quando o navio S....
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