Cientifico

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(Notas de aula, 12/2006. © S. S. Chibeni)

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Algumas observações sobre o “método científico”
Silvio Seno Chibeni
Departamento de Filosofia, IFCH, Unicamp, Brasil. Web site: www.unicamp.br/~chibeni.

Resumo:
Estas notas apresentam e discutem, em nível introdutório, alguns aspectos do chamado “método científico”.Seu objetivo principal é mostrar que embora a complexidade da ciência não permita que se conceba um “método” único, de aplicabilidade geral, para se “fazer” ciência, o conhecimento científico se distingue de outras formas de saber por algumas características importantes, que giram em torno da exposição deliberada e sistemática das teorias científicas à análise racional e ao controle experimental.1. Introdução
Constitui crença generalizada que o conhecimento fornecido pela ciência é, de algum modo, superior relativamente aos demais tipos de conhecimento, como o do homem comum. Teorias, métodos, técnicas, produtos, contam com aprovação geral quando considerados científicos. A autoridade da ciência é evocada amplamente. Indústrias, por exemplo, freqüentemente rotulam de “científicos”processos por meio dos quais fabricam seus produtos, bem como os testes aos quais os submetem. Atividades várias de pesquisa nascentes se auto-qualificam “científicas”, buscando respeitabilidade. Essa atitude quase que de veneração à ciência deve-se, em boa parte, ao extraordinário sucesso prático alcançado pela física, pela química, pela biologia e por suas ramificações. Assume-se, implícita ouexplicitamente, que por detrás desse sucesso existe um “método” especial que, quando seguido, redunda em conhecimento certo, seguro. A questão de saber que método seria esse tem constituído uma das principais preocupações dos filósofos, desde que a ciência ingressou em uma nova era, no século XVII. Formou-se em torno dela e de outras questões correlacionadas um ramo especial da filosofia, a filosofia daciência. Essa disciplina passou por transformações importantes no século XX, tendo, como conseqüência, chegado a uma visão do método científico bem mais satisfatória, sob diversos aspectos, do que a que prevaleceu, com algumas variações, nos três séculos precedentes. Não cabe no escopo deste artigo analisar, ou sequer descrever, as diversas concepções históricas, nem tampouco entrar em

2detalhes sobre as atuais concepções acerca do chamado método científico.1 Seu objetivo é o de indicar de forma sucinta e simplificada, para um público de não filósofos, alguns dos pontos sobre a natureza da ciência em que há uma maior concordância entre filósofos da ciência. Um dos mais importantes desses pontos é o de que, na verdade, não há um método científico no sentido de uma receita universalpara se fazer ciência. O escopo da ciência é tão amplo e diversificado que, mesmo sem muita pesquisa filosófica, já é de se desconfiar que é quimérica a idéia de um procedimento único, aplicável a todas as áreas. Além disso, está claro para os especialistas que mesmo em domínios mais restritos a investigação científica não é amoldável a nenhum procedimento fixo e explicitável em termos de regras deaplicação automática. A percepção aguda desse ponto levou alguns filósofos contemporâneos a defender a posição extrema de que simplesmente não há nenhum método científico. O caso mais famoso é, provavelmente, o de Paul Feyerabend, cujo lema é que na ciência “vale tudo”. Seu livro mais importante, publicado em 1975, intitula-se justamente Against Method. No restante deste texto não seguirei essaposição pessimista, tentando identificar alguns traços do empreendimento científico que, embora não de maneira rígida, permitem diferençá-lo de outros empreendimentos cognitivos.

2. A tripartição aristotélica do conhecimento
Desde a sua origem, o homem sempre cuidou de obter conhecimento sobre os objetos que o cercam. Esse conhecimento primitivo é motivado por algo externo à atividade...
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