Comida y antropologia

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COMIDA E ANTROPOLOGIA Uma breve revisão
Sidney W. Mintz

Desde seu início como uma ciência da observação próxima a disciplinas como a história natural, a antropologia mostrou grande interesse pela comida e pelo ato de comer. Dificilmente outro comportamento atrai tão rapidamente a atenção de um estranho como a maneira que se come: o quê, onde, como e com que freqüência comemos, e como nossentimos em relação à comida. O comportamento relativo à comida liga-se diretamente ao sentido de nós mesmos e à nossa identidade social, e isso parece valer para todos os seres humanos. Reagimos aos hábitos alimentares de outras pessoas, quem quer que sejam elas, da mesma forma que elas reagem aos nossos. Não é de surpreender, portanto, que o comportamento comparado relativo à comida tenha sempre nosinteressado e documentado a grande diversidade social. Também não espanta que os antropólogos, desde o começo, tenham se fascinado pela ampla gama de comportamentos centrados na comida.

Como precisamos comer para viver, nenhum outro comportamento não automático se liga de modo tão íntimo à nossa sobrevivência. Como Audrey Richards assinalou há muito tempo, o impulso de comer é mais forte doque o impulso sexual (Richards, 1948 [1935]). A prosperidade nos leva a esquecer o quanto a fome pode ser impositiva, mas mesmo nesses períodos os hábitos alimentares continuam sendo veículos de profunda emoção. Nossas atitudes em relação à comida são normalmente aprendidas cedo e bem, e são, em geral, inculcadas por adultos afetivamente poderosos, o que confere ao nosso comportamento um podersentimental duradouro. Devemos comer todos os dias, durante toda nossa vida; crescemos em lugares específicos, cercados também de pessoas com hábitos e crenças particulares. Portanto, o que aprendemos sobre comida está inserido em um corpo substantivo de materiais culturais historicamente derivados. A comida e o comer assumem, assim, uma posição
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REVISTABRASILEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 16 Nº 47 .
A comida enquanto tal – isto é, intrinsecamente enquanto comida – tem sido, talvez, um objeto menos interessante para a antropologia do que suas implicações sociais. Porém, isso muda quando nos deparamos com o livro de Audrey Richards, aluna de Malinowski, Land, labour and diet in Northern Rhodesia (Richards, 1951 [1939]). Nele, as funções sociais dacomida são tratadas longa e admiravelmente, mas a própria comida também recebe muita atenção. O ensaio de Richards, uma das melhores monografias já escritas na antropologia da comida, ilustra de maneira bela a afirmação de Alfred Kroeber de que a cultura é o modo como as pessoas se relacionam mutuamente estabelecendo relações com seus materiais culturais (Kroeber, 1948). Nos sessenta e tantos anosdecorridos desde a publicação do livro de Richards, a antropologia da comida e do comer continuou a crescer, mas as tarefas de pesquisa com que seus praticantes lidam se transformaram quase inteiramente. A seguir, quero falar sobre algumas das maiores referências neste campo ao meu ver e comentar os estudos contemporâneos. Quase todos os estudos de comunidade ou da cultura material que se escolhaexaminar, publicados entre os anos 30 e 60, contêm um ou dois capítulos sobre a sobrevivência e a economia doméstica, em que a comida e a sua busca são mencionadas. Mas obras como Malay fishermen (1966 [1946]), de Raymond Firth, ou Housekeeping Among malay peasants (1966 [1943]), de sua mulher Rosemary, se destacam porque em ambas a comida assume um papel central. No entanto, não há muitasmonografias desse tipo. Talvez porque a comida e sua preparação fossem vistas como trabalho de mulher, e a maioria dos antropólogos fosse composta por homens; ou porque o estudo da comida fosse considerado prosaico e pouco importante, comparado ao da guerra, da sucessão na chefia ou da mágica e da religião. Mas qualquer que seja a razão, mesmo nos anos 80 (o que poderia ser considerado bem tarde), quando...
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