Cuerpo y cultura

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Corpo, natureza e cultura

Corpo, natureza e cultura: contribuições para a educação*
Maria Isabel Brandão de Souza Mendes Terezinha Petrucia da Nóbrega
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Programa de Pós-Graduação em Educação

Introdução A educação, ao se pautar nos pressupostos racionalistas da modernidade, tenta instituir códigos morais que ditam as condutas, reprimindo, dessamaneira, as possibilidades diversas de expressão do corpo. Estabelece um distanciamento entre a aprendizagem e as experiências sensíveis, fato este explicado pelo desejo de querer um mundo durável de uma razão que quantifica, mede e que considera os sentidos como enganadores.

* Artigo apresentado, em versão preliminar, na 26ª Reunião Anual da ANPEd, realizada em Poços de Caldas, MG, de 5 a 8 deoutubro de 2003. As autoras agradecem aos professores do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Ciência e Tecnologia (NEPECT), pelos debates que contribuíram para a pesquisa de mestrado intitulada Corpo e cultura de movimento: cenários epistêmicos e educativos, que deu origem a este artigo. Agradecem também ao Grupo de Trabalho de Filosofia da Educação pela oportunidade de discussão dotrabalho após a apresentação, e às sugestões do parecerista da Revista Brasileira de Educação.

A educação ainda recebe fortes influências do pensamento cartesiano, que, através de uma visão dualista, tem como fundamentos: axiomas matemáticos, ordem e leis da mecânica. O corpo humano, ao ser comparado com uma máquina hidráulica, recebe uma educação que o considera apenas em seu aspecto mecânico, semvontade própria, sem desejos e sem o reconhecimento da intencionalidade do movimento humano, o qual é explicado através da mera reação a estímulos externos, sem qualquer relação com a subjetividade. O pensamento de Descartes, fundado no exercício do controle e no domínio da natureza, influencia a educação através da racionalização das práticas corporais. Ao ter como princípios a utilidade e aeficiência, busca-se a padronização dos corpos, e os gestos vão sendo controlados, embasados na racionalidade instrumental (Nóbrega, 2000). Desse modo, no intuito de problematizar as oposições inconciliáveis, a proposição desta reflexão é discutir a construção teórica da relação entre corpo, natureza e cultura através de aproximações epistemológicas entre as ciências naturais, humanas e afilosofia, e apontar contribuições para a educação.

Revista Brasileira de Educação

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Maria Isabel Brandão de Souza Mendes e Terezinha Petrucia da Nóbrega

Corpo, natureza e cultura Corpo natural ou cultural? Corpo humano ou animal? Corpo universal ou singular? Com tantas inquietações, buscamos para esta discussão contribuições para a compreensão da relação entre corpo, natureza e cultura pormeio de referências disciplinares que tecem diálogo com outras áreas do conhecimento, principalmente através dos estudos de MerleauPonty, Maturana, Varela, Lévi-Strauss e Morin. Destacamos que não tivemos a intenção de fazer a exegese da obra desses autores, mas sim, de buscar pistas e possibilidades de compreender a relação em questão. Ao refletirmos, então, sobre as transformações epistêmicasque vêm ocorrendo ao longo do século XX, percebemos que na biologia essas mudanças ocorreram quando passaram a considerar que organismo e ambiente coexistem, ultrapassando a controvérsia vitalismo-mecanicismo.1 Até os anos de 1950, a biologia restringia-se à fisiologia, uma vez que se mantinha fechada para o universo físico-químico, conseqüentemente, fechada para o fenômeno social, que, “emboraespalhado muito no reino animal, e até no vegetal, apenas era percebido, por falta de conceitos adequados, sob forma de tênues semelhanças” (Morin, 1973, p. 19). Surge, portanto, na segunda metade do século XX, a abordagem sistêmica. Nessa nova concepção da biologia, a natureza é considerada novamente viva e passa a compreender que organismo e ambiente coexistem, transformando as concepções que...
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