Descoberta da américa

Solo disponible en BuenasTareas
  • Páginas : 9 (2239 palabras )
  • Descarga(s) : 0
  • Publicado : 26 de mayo de 2011
Leer documento completo
Vista previa del texto
A Descoberta da América
A Descoberta da América é, sem dúvida, o encontro mais surpreendente da nossa história. Na “descoberta” dos outros continentes e dos outros homens não existe, realmente, este sentimento radical de estranheza. Os europeus nunca ignoraram totalmente a existência da África, ou da Índia, ou da China, a sua lembrança esteve sempre presente, desde as origens. No início doséculo XVI, os índios da América estão ali, bem presentes, mas deles nada se sabe, ainda que, como é de se esperar, sejam projectadas sobre os seres recentemente descobertos imagens e ideias relacionadas a outras populações distantes.
Mas não é unicamente por ser um encontro extremo, e exemplar, que a descoberta da América é essencial para nós, hoje. Além deste valor paradigmático, ela possui outro, decausalidade directa. A história do mundo é feita de conquistas e derrotas, de colonizações e descobertas dos outros; mas é a conquista da América que anuncia e funda a nossa presente identidade. Apesar de toda a data que permite separar duas épocas ser arbitrária, nenhuma é mais indicada para marcar o início da era moderna do que o ano de 1492, ano em que Colombo atravessa o Oceano Atlântico.Somos todos descendentes directos de Colombo, é nele que começa a nossa genealogia. Desde 1492 estamos “neste tempo tão novo e a nenhum outro igual”. A partir desta data, o mundo está fechado (apesar do universo se tornar infinito). “O mundo é pequeno”, declarará peremptoriamente o próprio Colombo. Os homens descobriram a totalidade de que fazem parte. Até então, formavam uma parte sem todo.
Nestetexto analisa-se a alteridade (ou outridade), ou seja, a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos. Assim, a existência do “eu-individual” só é permitida mediante um contacto com o outro (que numa visão expandida se torna o Outro – a própria sociedade diferente do indivíduo).
Desta forma eu apenas existo a partir do outro, davisão do outro, o que me permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que estou pela experiência do contacto.
A noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta se efectiva através das dinâmicas das relações sociais. Assim sendo, a diferença é simultaneamente, a base da vidasocial e fonte permanente de tensão e conflito.
A experiência da alteridade (e a elaboração dessa mesma experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar a nossa atenção no que nos é habitual, familiar, quotidiano, e que consideramos “evidente”. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, posturas, reacções) não têmnada de natural. Começamos, então, a surpreender-nos com aquilo que diz respeito a nós mesmos. O conhecimento da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas, e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única.
Todorov, estabelece um paradoxo entre as visões de Colombo (descobridor da América) e Cortez (conquistadordos Aztecas), sendo que para aquele, o mundo era visto sob a óptica do etnocentrismo, não percebendo o outro a não ser como parte da natureza. O outro é homem inferior ou diferente. Sendo diferente, é natureza, reduzido ao estatuto de objecto. Sendo inferior, pode ser manipulado de modo a assimilar os valores europeus.
Para Todorov, Colombo ignorou as três matrizes na questão do outro: a formaçãode signos, interpretação e comunicação.
Falhou na Comunicação com os indígenas por desconhecer a formação de signos, ou seja, os sinais – naturais ou artificiais - , que servem como intermediários entre a ideia e o objecto. Colombo não compreendeu os costumes e a religião dos indígenas – até porque menosprezava a sua cultura – contentando-se tão somente em propagar a fé católica, para ele tida...
tracking img