“Diabolização” das juventudes: mídia,

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“DIABOLIZAÇÃO” DAS JUVENTUDES: MÍDIA, SUBJETIVIDADE E EDUCAÇÃO
Miriam Pires Corrêa de Lacerda1 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Mídia: Um território de poder Este artigo se constitui em um recorte da tese de doutorado intitulada “Políticas de “Diabolização” das Juventudes: Educação, Mídia e Subjetividade” defendida junto ao Programa de Pós Graduação em Educação da UFRGS.Considerando que, na contemporaneidade, as interações sociais são atravessadas por processos e estratégias, que contribuem para o surgimento de novas formas de subjetivação, proponho abordar nesse texto, a mídia como um “território de poder” agenciador de subjetividades. Constata-se que boa parte dos textos que tematizam a juventude na mídia impressa dizem respeito a quem são, como se comportam, oque querem os jovens, evidenciando uma concepção “normativa” de juventude. Uma concepção de tal natureza opera uma tentativa de aproximação de sujeitos distintos - de diferentes maneiras - às normas ou prescrições estabelecidas. Isso ocorre segundo um modo consentido pelo sistema, o que, a um só tempo, concorre para uma busca constante em modelar o outro e uma consequente dificuldade com adiferença. É possível destacar que os jovens parecem ser o objetivo privilegiado da enunciação midiática contemporânea que, ao fazer uso de mecanismos psicológicos intensos, colocando em circulação textos, imagens, saberes que, de alguma maneira,
1 Bolsista CAPES do Programa Nacional Pós Doutoral (PNPD) no Programa de Pós Graduação em Educação – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.Doutora em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

prescrevem modos de ser, pensar e se colocar na vida, a mídia interfere na constituição das subjetividades. Tornero (1998) identifica três fases no movimento discursivo midiático. Destaco a primeira, por meio da qual, maneiras de ser e de estar são apresentadas aos jovens como modelosideais a serem seguidos. Sob esse enfoque, permito-me compreender a mídia como espaço de possibilidades e de realidade material préexistente a qualquer conhecimento e a qualquer prática a que será objeto. Essa mesma mídia territorializa-se na medida em que se exercem ações constitutivas da experiência subjetiva, uma vez que o público, seja ele um espectador ou um leitor, faz-se presente na cena, comoresultado de um dispositivo de representação. Foucault em entrevista concedida a Dreyfus e Rabinow (1995, p. 242), refere que o poder “só existe em ato. Não há algo como o poder ou do poder. Só há poder exercido de uns sobre os outros”. E, ainda, “aquilo que se define como uma relação de poder é um modo de ação que não age direta ou imediatamente sobre os outros, mas que age sobre sua própria ação”(DREYFUS; RABINOW, 1995, p. 243). Raffestin (1993) servirá de suporte para definir o que me proponho a dizer quando me utilizo da expressão mídia como território de poder. Espaço e território não são termos equivalentes. É essencial, pois, compreender bem que o espaço é anterior ao território, logo, o território forma-se a partir do espaço e é o resultado de uma ação conduzida por um ator. Ao seapropriar de um espaço, concreto ou abstrato, o ator territorializa o espaço. O território é, então, um espaço onde se projetou um trabalho, e que, por conseqüência, revela relações marcadas pelo poder. Dessa forma, ao projetar uma figura estereotipada e, por vezes, atrativa, marcada essencialmente por traços que se supõem característicos dos jovens, também os discursos midiáticos concorrem paraque essas imagens sejam tomadas tanto pelos adultos e quanto pelos jovens. Transitamos por uma sociedade que tem, no paradoxo, um traço marcante. Nesse cenário, emerge uma nova condição juvenil, distinta, tida como assustadora, e que vem sendo descrita em um significativo número de discursos midiáticos, como constituída por seres irresponsáveis, imaturos, inconseqüentes sem limites, violentos,...
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