Epog usp hugo chávez

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VENEZUELA: ECONOMIA PETROLEIRA E CONFLITOS SOCIAIS (1973-1998)

F.B.


A ascensão ao poder, em 1998, de Hugo Chavez e a década de governo que se lhe tem seguido tornaram o cenário político venezuelano um objeto especial das atenções de sem-número de estudos acadêmicos e, igualmente, de acirradas discussões políticas, travadas hoje dentro e fora da América Latina. Em grande medida, asinterpretações que se têm esboçado para explicar o "fenômeno Chávez" (segundo a expressão de uso já corrente na imprensa diária do continente) oscilam entre avaliações que, por um lado, o estigmatizam como uma mera reedição do típico populismo latino-americano e, por outro, o exaltam como uma alternativa promissora e poderosa de reorganização do Estado contra a instituição do "Estado mínimo"neoliberal e o processo de globalização econômica de nossos dias. Tomado num sentido geral, será correto afirmar que o chavismo coroa um processo político de décadas, que, por muitos motivos, guarda certa peculiaridade no conjunto da história contemporânea latino-americana. Embora a Venezuela se integre perfeitamente ao conjunto dos países latino-americanos ─ considerados em sua formação histórica própria,de secular dependência econômica, de autoritarismo político e de miséria social ─ o país conheceu na década de 1970 (e primeiros anos da de1980) um período tradicionalmente relembrado como de abastança econômica e de paz social ─ traço bastante singular numa época em que o restante do continente se agitava, convulsionado por ditaduras militares e movimentos armados da esquerda radical. Muitosdentre os estudiosos da época encararam as instituições políticas venezuelanas daqueles anos como as mais democráticas da América Latina, situação sustentada, ademais, pelo progresso material promovido pela exploração da riqueza petrolífera do país. Desta perspectiva, ainda, alguns aspectos da vida político-partidária de então viriam reforçar a sensação de otimismo que tomava conta da sociedadevenezuelana: 1) um sistema político de dois partidos (AD e COPEI), de exígua diferença ideológica, e que permitira, desde 1958, certa condição de equilíbrio através de um "pacto de governabilidade" (puntofijismo), combinado à firme exclusão de grupos políticos radicais (como o PCV); 2) a forte institucionalização dos partidos e sua composição multiclassista, o que desencorajava o aparecimento delideranças individuais, e, ao mesmo tempo, permitia a formação de coalizões com partidos menores; e 3) o controle que, na prática, pôde exercer a AD sobre importantes setores do movimento operário (cooptados e organizados na Confederação dos Trabalhadores da Venezuela - CTV).
O cenário econômico mundial de inícios de 1970 revelava-se promissor para a Venezuela: em 1973, por força da OPEP (da qual opaís era membro preeminente), o barril de petróleo atingiu um valor quatro vezes maior do que nos anos anteriores, numa tendência de elevação que se manteria por toda a década, e que se acentuaria ainda com a Revolução Iraniana de 1979. O progresso econômico venezuelano podia ser visto, em termos numéricos, nas exportações ─ que ascenderam de 3,1 bilhões de dólares (1972) para 11, 3 bilhões (1974) ─e no aumento da receita interna disponível. Contudo, já ao início dos anos 1980, o modelo econômico venezuelano dava sinais de esgotamento: entre 1980 e 1986 registrou-se ─ apesar do aumento das exportações de petróleo em razão da queda das exportações iranianas ─ uma curva descendente do crescimento interno. Referindo-se aos anos de 1979 e 1980, aponta Héctor Malavé Mata o movimento de queda ─cujo agravamento nos anos seguintes acabaria por culminar com a brutal desvalorização do bolívar, em 1983, acompanhada de altos índices de inflação no fim da década (81% em 1989):
A par do descenso econômico, delineava-se uma gravíssima crise social. A violenta revolta popular de 1989 (conhecida como Caracazo), demonstrou, com ainda maior veemência, as fraquezas e limitações históricas do...
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