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Análise Psicológica (2001), 2 (XIX): 299-312

E se perguntássemos aos Sem-Abrigo?!!
Satisfação e necessidades percepcionadas face aos serviços, num abrigo de Lisboa (*)

FERNANDO M. V. de SOUSA (**) SANDRA M. de ALMEIDA (***)

To live on the street is to be an “eye-sore”, to be ostracized, to have nothing, to be nothing, to be invisible, the object of anger, the object of guilt, painfullyignored or pitied. Rae Bridgman, 1998

Os Sem-Abrigo de hoje não são os mesmos de há duas décadas. Àqueles que se entendia como sendo os marginalizados clássicos – os mendigos e os vagabundos – veio juntar-se uma nova geração de excluídos, resultante de crises económicas, da crise de valores, do desemprego, do consumo de substâncias e das influências das polí-

(*) Este artigo é uma síntese dadissertação do Curso de Estudos Superiores Especializados em Saúde Mental Comunitária (Instituto Superior de Psicologia Aplicada) realizada pelo primeiro autor sob orientação da segunda autora. (**) Fundação António Silva Leal, Apartado 824, 8000-080 Faro, fmvsousa@mail.telepac.pt (***) Gabinete de Gestão EQUAL, Avenida da República, 62, 7.º, 1050-197 Lisboa, s.almeida@equal.mts.gov.pt

ticassociais (Pimenta, 1992). Apesar dos SemAbrigo continuarem a ser maioritariamente do sexo masculino (FEANTSA, citada por Avramov, 1995), assiste-se actualmente ao aparecimento de «novos» Sem-Abrigo nomeadamente de mulheres (Grella, 1994; Rossi, 1990), de famílias (Rossi, 1990; Shinn, Knickman, Ward, Petrovic, & Muth, 1990), de jovens (Johnson, Aschkenasy, Herbers, & Gillenwater, 1996), e de idosos(Abdul-Hamid, 1997; Elias & Inui, 1993; Kutza & Keigher, 1991). No contexto da União Europeia, estimava-se que em 1995 próximo de 18 milhões de pessoas se encontrassem numa situação de Sem-Abrigo ou extremamente mal alojadas (Avramov, 1995). Este número incluiria 1.8 milhões de pessoas dependentes de serviços para indivíduos SemAbrigo, 0.9 milhões de pessoas a viver em quartos alugados, e 15milhões de pessoas a viver em condições habitacionais extremamente instáveis. 299

Também em Portugal se têm feito algumas estimativas sobre o número de pessoas em situação de Sem-Abrigo. Fernandes (1993) estimava que existissem em Lisboa próximo de 4500 pessoas nessa situação. Baseando-se em números fornecidos por instituições que dispõem de abrigos temporários, Nascimento (citado por Avramov, 1995)estimava que durante o ano de 1993 cerca de 2870 pessoas teriam passado por esse tipo de instalações. Por seu lado Bento, Barreto, e Pires (1996) situaram a população Sem-Abrigo entre os 2000 e os 3500 indivíduos. Mais recentemente Pereira e Silva (1998), apontavam para que o número de pessoas Sem-Abrigo a pernoitar nas ruas de Lisboa se situava entre um mínimo de 654 indivíduos e um máximo de8591. Para compreendermos um pouco melhor estes números teremos que ter em consideração que nestes estudos foram utilizados diferentes métodos de recolha de dados. O facto de não existir uma definição consensual sobre o que se entende como sendo um indivíduo em situação de SemAbrigo tem contribuído também para a existência de certas discrepâncias. Assim, têm-se constatado que consoante a definição eas metodologias utilizadas se registam variações, nalguns casos significativas, quanto ao número de Sem-Abrigo existentes.

1994 August), a existência de dificuldades económicas (Koegel, Melamid, & Burnam, 1995), o abuso de substâncias (Johnson, Freels, Parsons, & Vangeest, 1997) e a influência precursora de conflitos familiares (Koegel et al., 1995). A desinstitucionalização tem sido tambémfrequentemente considerada como uma das principais causas de situações de Sem-Abrigo. Toro (1998) analisando diversos estudos, homogéneos do ponto de vista da metodologia e dos conceitos, constatou que a maioria dos indivíduos em situação de Sem-Abrigo não apresentava problemáticas psiquiátricas, e muitos dos que as apresentavam nunca haviam sido hospitalizados. Efectivamente, registou-se que a...
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