Guerra de canudos

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A Guerra de Canudos

A religiosidade da população rural manifestava-se também na presença de beatos que percorriam o sertão, arregimentando fiéis que abandonavam tudo para segui-los. Seus seguidores acreditavam que um salvador viria para acabar com sua miséria. Algumas vezes, esses andarilhos fixavam-se e organizavam comunidades, onde os sertanejos procuravam um meio alternativo de vida. Essefoi o caso da famosa comunidade de Canudos, liderada pelo beato Antônio Conselheiro.
Ao movimento realizado por esses beatos dá-se o nome de Messianismo. O messianismo foi uma característica importante do catolicismo popular brasileiro. Herdado do catolicismo português, o messianismo era a crença de que um determinado individuo, um messias, viria para inaugurar uma era de plena felicidade. Aospobres cabia resignadamente esperar o dia do juízo final, quando então poderiam entrar no reino do céu.
Desde o inicio da década de 1870, Conselheiro pregava pelo sertão nordestino, arrebanhando aos poucos, uma legião de seguidores. Diferenciava-se dos demais beatos por não se limitar a pregar o catolicismo, dirigindo frequentemente criticas ao governo republicano. Em 1893, resolveu fundar umacomunidade em uma antiga fazenda abandonada, às margens do rio Vaza-barris, no interior baiano. Batizou-a de Belo Monte, mas ela ficou conhecida como Canudos devido à grande quantidade de canudos-de-pito nas margens do rio.
A comunidade tinha um caráter predominantemente religioso. Mas a motivação religiosa estava longe de ser a única. Canudos era uma alternativa de sobrevivência para uma populaçãoque vivia na miséria, explorada pelos fazendeiros.
Entre 1888 e 1892 ocorreu uma das piores secas do período, e a falta de chuva destruía as plantações em uma região onde não havia outras alternativas de sobrevivência.
Logo, centenas de pessoas acorreram para o novo povoado, vindas de vários estados nordestinos. Sua população chegou a cerca de 35 mil habitantes, transformando Canudos, na segundamaior cidade da Bahia, menor apenas que a capital, Salvador. Eram em geral pessoas pobres, que não conseguiam trabalho e não dispunham de terras para garantir sua sobrevivência.
Conselheiro exercia a liderança religiosa, estabelecendo as regras que ordenavam a vida cotidiana dos habitantes, segundo sua interpretação particular do catolicismo. Em seus sermões defendia a monarquia, atribuindo àrepública todos os males de que padecia o povo.
Os habitantes de Canudos dedicavam-se à pecuária e à agricultura, atividades que garantiam a todos o necessário para a subsistência. Além disso, realizavam comercio com as cidades vizinhas, vendendo o excedente de sua produção e comprando os gêneros que não produziam. Construíram uma igreja e também uma escola.
O rápido crescimento de Canudos e suaindependência despertaram apreensão entre as autoridades religiosas e políticas. De inicio, sua relação com a igreja era amistosa. Conselheiro não realizava atos religiosos oficiais como casamentos e batismo. Um padre ia regularmente a Canudos com este fim. No entanto, em uma visita ao povoado, uma missão de frades enviada pelo bispo de Salvador foi rechaçada pelos habitantes, depois que os fradescriticaram Conselheiro.
A igreja empenhou-se então em uma verdadeira campanha contra Canudos. Além dos ataques de caráter religioso, acusava Conselheiro de ser inimigo da república e defensor da monarquia. Esse acabou se tornando o ponto principal da campanha do governo contra Canudos. As simpatias monárquicas do Conselheiro foram usadas para justificar o envio de tropas contra a comunidadesertaneja.
O clima criado contra Canudos chegou a tal ponto que, em outubro de 1896, espalhou-se o boato de que seus habitantes pretendiam invadir Juazeiro, porque não lhes havia sido entregue um carregamento de madeira, comprado para a construção de uma nova igreja. O presidente da Bahia, Luís Viana, enviou um batalhão do Exercito para defender a cidade. Como, após alguns dias, o ataque não aconteceu...
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