História e ficção em la fiesta del chivo

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História e ficção em La fiesta del Chivo

Cláudia Paulino de Lanis
Em La fiesta del Chivo, Urania, por meio do recurso da memória, retoma um período da história de Santo Domingo. A escritura se constrói como desmitificadora do discurso realista que criou a ilusão de referencialidade, a suposta ligação da narrativa com a realidade.
La fiesta del Chivo seapropria das verdades e das mentiras do registro histórico e de alguns detalhes históricos conhecidos que são ressaltados, gerando um potencial para o erro proposital ou inadvertido. Romances pós-modernos confirmam, abertamente, que só existem verdades no plural, jamais uma só “verdade” e, raramente, existe a falsidade, apenas as verdades alheias. Ao mesmo tempo em que explora, a obra questiona oembasamento do conhecimento histórico no passado em si. É por isso que a pós-modernidade nomeia esse tipo de escrita de metaficção historiográfica.
Hutcheon (1988, p.151) define a ficção histórica “como aquela que segue o modelo da historiografia até o ponto em que é motivado e posto em funcionamento por uma noção de história como força modeladora (na narrativa e no destino humano)”.La fiesta del Chivo não distingue entre fato histórico e ficção. Cabe ressaltar que não só a história tem uma pretensão na historiografia, mas também a ficção como discurso, como construção humana. Em síntese, as duas têm como objetivo principal a busca da verdade. A narrativa incorpora dados históricos, porém os assimila raramente e, assim, problematiza toda a noção de subjetividade. Osmúltiplos pontos de vista ou um narrador declaradamente onipotente “demonstram que a ficção é historicamente condicionada e a história é, discursivamente, estruturada”, como afirmou Hutcheon (1988, p. 158). Somos ao mesmo tempo espectadores e atores no processo histórico.
Assim como a arte pós-moderna, a obra de Vargas Llosa insere a história, e depois a subverte. A metaficção historiográfica nãorejeita o real nem o aceita simplesmente, porém ela modifica, definitivamente, as noções de realismo ou referência por meio da confrontação direta entre o discurso da arte e o discurso da história. Em La fiesta del Chivo não há nenhuma pretensão de mimese simplista. Este gênero não pretende conhecer o passado nem negá-lo, mas questioná-lo através das histórias registradas.
Em La fiesta delChivo, o personagem, o narrador, o autor, a voz do texto são as diversas formas criticamente sancionadas de falar sobre a subjetividade, contudo, nenhuma delas consegue apresentar alicerce estável. A obra de Vargas Llosa é auto-reflexiva e descontínua.
O texto está repleto de erotismo, de ironia, de relato de mulher, de histórias cruzadas pelo recurso da paródia, das vozes, da polifonia, daintertextualidade, que são os expoentes desta etapa pós-moderna e recuperam o passado. A protagonista desta narrativa vargallosiana é uma excêntrica e marginalizada, uma figura periférica da história ficcional, assim como o segundo foco narrativo que é o grupo dos silenciosos, representado pelos revolucionários na obra. O centro da obra pós-moderna deixou de ser o homem, o tirano, no caso destaobra; a repressão social e sexual reflete a nacional, tanto passada quanto presente.
Os personagens históricos assumem um papel diferente, particularizado e, em última hipótese, excêntrico, como Trujillo, que no romance constitui mais um personagem dentro da história. Ele é o desencadeador da trama, mas não mais o centro, o alvo do romance. Esta obra adota uma ideologia pós-moderna depluralidade e reconhecimento da diferença, fala das realidades políticas e históricas, problematiza a noção de conhecimento histórico, ao mesmo tempo em que subverte as convenções ficcionais, as avalia. Incorpora a sua autoconsciência teórica referente à história e à ficção como criações humanas na base de seu repensar, de seu reelaborar das formas e dos conteúdos do passado. La fiesta del Chivo não...
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