Oraculos griegos

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História, imagem e narrativas No 5, ano 3, setembro/2007 – ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br

Oráculos gregos: análise da mântica em Édipo Tirano
André Haggstron Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul haggstron@yahoo.com.br

Resumo: O presente trabalho busca apresentar os principais estudos já realizados a respeito das predições oraculares natragédia Édipo Tirano, de Sófocles, analisando também a crítica pela qual a mântica passou, dentro do período em que a tragédia foi escrita e representada pela primeira vez (provavelmente em 430 a.C. em Atenas). Pretende-se também analisar e compreender o conteúdo numinoso (divino) no âmbito social da pólis e suas relações no encadeamento dramático deste texto de Sófocles, construindo novasconcepções a partir de consultas às fontes bibliográficas levantadas. O método utilizado na confecção do texto foi baseado na análise semântica da fonte primária (a tragédia Édipo Tirano) acompanhada da revisão bibliográfica das obras levantadas sobre o tema específico, baseando-me em importantes autores e utilizando-me também de referências eletrônicas. Palavras-chave: Sófocles, Édipo Tirano, Mântica,Oráculo, pólis.

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História, imagem e narrativas No 5, ano 3, setembro/2007 – ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br

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A importância dos oráculos na Grécia Antiga
O futuro sempre inquietou a humanidade. A vontade de conhecer o próprio destino

levava os gregos a consultar sacerdotes que viviam encerrados nos templos, purificando-se constantemente para receberem as respostasdivinas – ou oráculos, vocábulo que significa resposta. Os gregos eram um povo cuja fé pela divinação era ilimitada, e a cada dia e cada hora se preocupavam com o futuro dos assuntos importantes e corriqueiros do destino, tanto dos indivíduos como do Estado. Poderíamos estar surpresos em descobrir esta tendência em um povo que pensava tão livremente, que era dotado de tanta perspicácia e em que oconhecimento intelectual era uma verdadeira paixão se os pusermos no ponto de vista do pensamento moderno. Sobre este assunto, Scheffer segue uma linha lógica de pensamento: “Esquecemo-nos muito facilmente ou não podemos mais compreender plenamente que naquela época e particularmente na Grécia, tudo repousava sobre a religião”. (SCHEFFER, 1943, p.119). Dos domínios que hoje são considerados alheiosà religião, e que não se deseja relacionar com ela, eram saturados do divino no qual creia-se encontrara origem de todas as coisas. Acreditavam os gregos que os deuses guiavam, de uma maneira ou de outra, o curso de suas vidas e que assim como um deus poderia trazer algum benefício ou conforto, este mesmo deus, ao contrário, poderia lhe trazer a miséria e até mesmo a morte. E partindo destaanálise, Scheffer conclui: “Um povo tão unido à natureza e a tudo que é natural era dotado, por outro lado, de um senso metafísico e dava aos detalhes menos importantes uma significação metafísica. Este modo de sentir e de pensar não é concebível, pois nos damos conta que a oposição estabelecida pelo cristianismo entre a vida presente e a vida futura, entre a natureza e Deus, nos faz esquecer há doismil anos que podemos considerar todo o divino como inteiramente compreendido na natureza, intimamente unido e quase idêntico a ela. Esta concepção cósmica não é formulada como um conhecimento filosófico, formulação que não faz mais que destruir o que é propriamente religioso, ela releva, ao contrário do sentimento, e se impõe por sua evidência”. (SCHEFFER, p.120). Na Grécia, havia sempre, em várioslugares, oráculos de todos os tipos e uma multidão de videntes, adivinhos e profetas ambulantes; desde o período das origens até o final da Antigüidade. Desde então, o mito idealiza a figura de Tirésias, profetizante ainda nos infernos

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História, imagem e narrativas No 5, ano 3, setembro/2007 – ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br

(Odisséia, XI), ou de Calcas, o...
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