Os enigmas da mulher e do feminino na psicanálise e na mídia – uma questão de contexto

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  • Publicado : 18 de marzo de 2011
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Nome: Bianca Alighieri Luz Monteiro[1]

Os enigmas da mulher e do feminino na psicanálise e na mídia – uma questão de contexto

Mulher e feminino são conceitos iguais ou que se complementam? O que define cada um deles? O que os diferencia? O que da psicanálise há na mídia? Antes de pensar sobre essas perguntas é preciso considerar o lugar de fala de quem enuncia sobre esses doisvocábulos, pois cada campo social colocará sobre eles seus parâmetros e pontos de vistas. Sociologia, filosofia ou a antropologia formarão conceitos a partir de suas crenças culturais e das suas relações com os valores sócio-econômicos de uma sociedade.
É válido afirmar também, que o conceito de mulher e feminino vão sofrer alterações na linha do tempo da sociedade. Nesse sentido, nosso artigo éuma tentativa de articular a visão da psicanálise e da mídia sobre mulher e feminino. Não pretendemos, entretanto, dar conta das inúmeras possibilidades de abordagem sobre mulher e feminino nem da magnitude do trabalho da psicanálise; sendo assim pedimos desculpas antecipadas pelo reducionismo dos conceitos que virão a seguir.

Na psicanálise
Apesar das críticas, reconhece-se que Freud foium dos primeiros pensadores a arriscar uma interpretação do que seriam os conceitos de mulher e feminino. Diante da complexidade da tarefa, o psicanalista aborta a tentativa de descrever as mulheres, e busca compreender como elas se constituem.
Embebido pelo contexto patriarcal e sócio-ideológico da época – meados dos séculos XIX e XX –, Freud entendia as mulheres sempre em referência a umapsicologia masculina, pensamento que até hoje lhe rende fortes críticas, como bem observa Cândida Sé Holovko (2008, p.01): “Sua teoria falocêntrica, com as ideias de uma masculinidade inicial da menina, da inveja do pênis, do complexo de castração, ainda desperta muita polêmica nos meios psicanalíticos”. Entretanto, Freud avança nos estudos clássicos onde, a mulher e o feminino eram consideradospassivos, narcisistas, masoquistas e com um superego mais frágil que o do homem (Afonso, 2007). Sobre esse rompimento feito pela teoria freudiana, Afonso afirma ainda que:

“o desenvolvimento da feminilidade e da masculinidade baseia-se na aprendizagem resultante de frustração, conflito e trauma, sua ultrapassagem ou elaboração. Esta nova perspectiva, abarca uma aprendizagemlivre de conflitos. Aqui está incluído o desenvolvimento da feminilidade, em que a aprendizagem pode ser egossintónica, baseada em componentes nas quais a rapariga se identifica com a mãe. Não se nega, no entanto, um segundo tipo de feminilidade resultante do conflito e da inveja edipiniana, e que produz uma feminilidade rica e complexa.” (Idem, pg. 334)

Neste sentido, os estudosfreudianos sobre sexualidade são alicerçados pelo Complexo de Édipo feminino, sendo este período de suma importância na formação da identidade sexual. Assim, masculinidade e feminilidade são conceitos diferentes de homem e mulher. Ser homem ou ser mulher é, para psicanálise, uma questão meramente biológica. Compreende-se, então, que o exercício de Freud é baseado numa analogia entre a anatomia genital dohomem (ter um pênis) e da mulher (não ter um pênis) em relação àquilo que falta na essência humana – algo que anos depois será melhor desenvolvido por Lacan, sendo a busca por aquilo que falta o condutor da ações humanas.
Por conseguinte, não é difícil associarmos o pensamento do psicanalista aos comportamentos machista e paternalista, que por sinal, norteavam o contexto social da época,onde o casamento, por exemplo, era meta para as mulheres. Freud entrou em um terreno complexo: a tentativa de explicar a constituição do feminino por uma psicologia masculina. Entretanto, seu trabalho ousado não designificou sua teoria, lhe deu, na verdade, grande visibilidade, provocando nos estudiosos da psicologia – daquela época e até hoje – o desejo de avançar nestas ideias simbolicamente...
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