Psicologia comunitária - teoria e metodologia

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Psicologia comunitária: teoria e metodologia

Ronald J. J. Arendt 1
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
 
 
 
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Resumo
Este texto pretende analisar o caminho percorrido pelos psicólogos comunitários desde a emergência da "crise" da Psicologia Social. Naquele momento, a crítica incidia sobre o psicólogo social experimental empírico-analítico, em contraste com o psicólogocomunitário, atento às metodologias qualitativas. Se o primeiro estava convicto do objeto de sua disciplina, o segundo, sensível aos aspectos sociais, históricos, antropológicos e políticos do contexto, não tem clareza quanto a seu objeto de estudo. Dos pressupostos teóricos e metodológicos imbuídos nestas práticas sugerir-se-á um retorno a questões psicológicas, enriquecidas com os referenciais dasciências sociais, numa tentativa de melhor precisar o "olhar" do psicólogo. 
Palavras-Chave: Psicologia Social, comunidade, teoria, metodologia
 
Theoretical and methodological reflexions on community psychology
Abstract
This paper purpose is to analyse the trends in community psychology since the end of the Social Psychology "crisis". At this moment, the empirical-analytical experimental socialpsychologist was under criticism, in contrast to the community psychologist who employs qualitative methodologies. If the latter was convinced of his discipline’s object, the former, sensitive to the social, historical, anthropological and political aspects of the context, does not have a clear object to study. An analysis the theoretical and methodological foundations of actual practices, suggestthe need to return to psychological questions, enriched by the social sciences contributions, in an attempt to define more precisely psychologist’s actions.
Key words: Social Psychology, community, theory, methodology.
Em análise institucional, analisadores são acontecimentos que permitem fazer surgir, com mais força, uma análise, que fazem aparecer a instituição "invisível" (Lourau, 1993, p.35).Através do analisador torna-se possível investigar o que Ardoino (1985) denomina "arquitetura" de uma instituição em análise. Proponho, neste artigo, utilizar a Psicologia Comunitária, enquanto disciplina emergente no contexto da Psicologia Social, como um analisador da Psicologia. Minha tese é que a Psicologia Comunitária permite colocar em análise a instituição da Psicologia, tornando maisespecíficos seu objeto e suas práticas teóricas e metodológicas.
A Psicologia Comunitária é uma disciplina recente. Sua origem remonta, por um lado à psiquiatria social e preventiva, à dinâmica e psicoterapia de grupos, práticas "psi" que conceituavam uma origem social a seus objetos de estudo. Por outro lado, psicólogos sociais, após os decisivos acontecimentos de maio de 1968, na França e Itália,passaram a colocar em questão a neutralidade dos pesquisadores centrados no modelo empírico-analítico, dando início à assim chamada "crise"da Psicologia Social. Sob a influência da filosofia francesa e do movimento institucionalista, as práticas dos psicólogos passaram a ser criticamente avaliadas a partir de referenciais antropológicos, históricos e políticos. Embora as primeiras conceituações epráticas comunitárias em Psicologia tenham sido norte-americanas ou européias [ver, p.ex. Iscoe, Bloom e Spielberger (1974), Bender (1978), Saranson (1974)], é na América Latina que a disciplina ganha contornos característicos. Wiesenfeld e Sánchez (1991) procuraram sintetizar o conjunto de condições "que teriam criado o clima apropriado para seu crescimento" (p.113), a partir dos anos 70. Em primeirolugar estava a preocupação de um grupo de psicólogos que sentiam a necessidade de mudar o foco da Psicologia Social, que à época, segundo eles, imitava predominantemente a abordagem experimentalista norte-americana. Segundo Wiesenfeld e Sánchez considerava-se que a Psicologia Social, na América Latina,
"não estava se baseando na realidade para a qual ela estava suposta de atuar, mas que o...
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