Reconfigurações identitárias, meios de comunicação de massa e cultura jovem na américa latina, na segunda metade do século xx.

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  • Publicado : 1 de marzo de 2011
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Reconfigurações identitárias, meios de comunicação de massa e cultura jovem na América Latina, na segunda metade do século XX.

Tânia da Costa Garcia

Depto de História Unesp/Franca

Esta apresentação pretende abordar as reconfigurações das identidades nacionais na América Latina, a partir da análise dos usos e apropriações da denominada cultura popular pordiferentes setores sociais e de sua veiculação pelos meios de comunicação de massa. Particularmente, sobre o conceito de identidade, teço apenas alguns comentários introdutórios, considerando que foi tema do último seminário realizado por este grupo de pesquisa.

A idéia de nação está tão imbricada à modernidade que a impressão que se tem com relação a esse sentimento é de que tal identificaçãoprecede a própria história. Isto é, a história da nação, no caso dos países do continente americano, é narrada desde sua “origem”, qual seja, o descobrimento, passando pelo processo de colonização até a conquista da independência como um devir conhecido. A história da nação transforma-se, assim, na história contra seus opressores.

Entretanto, é somente a partir desta autonomia política,conquistada através de acordos e/ou rupturas, que se coloca a necessidade de dar sentido a tal unidade. Desde então, são identificados laços comuns entre aqueles que habitam o mesmo território. Tal construção integra o imaginário, lugar habitado pelas paixões e desejos humanos, que por sua vez compõe o real. Através de laços identitários, pré-existentes e/ou inventados (imaginados) – conjunto devalores, símbolos, lembranças e mitos disponíveis – se define a identidade nacional.[1]

Tais prefigurações fundadoras de um nacional, fundamentadas no social e no político, foram e são constantemente reinterpretadas pelas sucessivas gerações. Em cada época, utiliza-se dos suportes disponíveis para a produção, difusão e fixação de um universo simbólico comum. No século XX, para aprodução e reprodução das identidades nacionais – diferentemente do século XIX em que predominou o uso da imprensa escrita e, portanto, da cultura letrada – fez-se largo uso do rádio, do fonograma, do cinema e da televisão, a fim de promover um conjunto de imagens e símbolos capazes de integrar a nação. Na América Latina, o papel de tais veículos foi demasiadamente importante, uma vez que aescrita, mesmo quando iniciado o século XX, era ainda de domínio restrito. Como bem observa Martin-Barbero, diferentemente da trajetória européia, praticamente saltamos da cultural oral para a midiática, sem assentarmos lastro na cultura escrita, que, entre nós, se desenvolveu paralela e concorrencialmente àquela propagada pelos meios de comunicação de massa[2].

Assim, exercer algum tipo deinfluência e controle sobre os meios de comunicação e seus conteúdos, passou a ser de fundamental importância para o Estado-nação, frente às novas demandas sociais. No subcontinente, o desenvolvimento dos meios de comunicação na sua primeira fase, coincidiu com a intensificação da migração do campo para a cidade entre os anos 20 e 30, com a chegada de levas de imigrantes em decorrência das criseseconômicas da Europa do pós guerra e com o desenvolvimento da industrialização, resultando numa configuração social mais complexa do espaço urbano, o que exigiu uma nova organização política, sustentada em novos laços de solidariedade. Carecia-se de uma reconfiguração do simbólico nacional capaz de integrar estes novos atores sociais à nação.

O nacional, o popular e o massivo

Esseprocesso de construção e reconstrução das identidades nacionais, resultou, desde então, em diferentes apropriações da denominada cultura popular.
A relação entre identidade nacional e cultura popular teve seu começo com os estudos folclóricos surgidos na Europa do século XIX, animados pela necessidade de constituição de uma identidade para a nação. Em busca da “essência do povo”, os...
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