Rituais, Ritos De Passagem e De Iniciação: Uma Revisão Da Bibliografia Antropológica

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Estudos Teológicos, v. 44, n. 2, p. 138-146, 2004

Rituais, ritos de passagem e de iniciação: uma revisão da bibliografia antropológica
Adriane Luisa Rodolpho*
Resumo: Os temas dos rituais, ritos de passagem e de iniciação são considerados como clássicos na literatura antropológica. Este artigo pretende, portanto, realizar um rápido levantamento da produção bibliográfica, a fim de contribuirpara as pesquisas que atuam na interface entre a antropologia e a teologia. Resumen: Los temas de rituales, ritos de pasaje y de iniciación son considerados como clásicos en la literatura antropológica. Este artículo pretende, por tanto, realizar un rápido levantamiento de la producción bibliográfica con el objetivo de contribuir para las investigaciones que actúan en la interfase entre laantropología y la teología. Abstract: The themes of rituals, rites of passage and of initiation are considered classic in the anthropological literature. This article, therefore, intends to carry out a quick survey of the bibliographic production, so as to contribute to the research that goes on within the interface of anthropology and theology.

* Bolsista Pro-Doc/CAPES/EST. Doutora em AntropologiaSocial e Etnologia pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS-Paris) e Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS).

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Rituais, ritos de passagem e de iniciação

Muitas vezes, quando pensamos em ritual, duas idéias nos vêm à mente: por um lado, a noção de que um ritual é algo formal e arcaico, quase que desprovido de conteúdo,algo feito para celebrar momentos especiais e nada mais; por outro lado, podemos pensar que os rituais estão ligados apenas à esfera religiosa, a um culto ou a uma missa. Ora, nenhuma das duas idéias é exata, e este é um dos propósitos deste texto: pensar sobre os rituais, e quais seus espaços em nossa sociedade contemporânea. Entretanto, as idéias que temos sobre alguns temas – essas que não sãonecessariamente corretas – podem igualmente nos ajudar a pensar sobre o porquê destes “sensos comuns” (é assim que chamamos idéias vagas e gerais sobre algo) perdurarem. No caso do estudo dos ritos, retomaremos as duas noções expostas anteriormente, já que elas podem nos ajudar a verificar o porquê de os rituais serem geralmente associados aos momentos apenas formais ou religiosos de nossocotidiano. Segundo alguns autores1, nossa vida de todos os dias – a vida social – é marcada por um eterno conflito entre dois opostos: ou o caos total, onde ninguém segue nenhuma regra ou lei, ou uma ordem absoluta, quando todos cumpririam à risca todas as regras e leis já estabelecidas. A visão destes opostos não deixa de ser engraçada: alguém consegue imaginar nossa sociedade funcionando de uma destasmaneiras? É evidente que não. Entretanto, uma solução de consenso é alcançada por todas as sociedades, quando a coletividade consegue – ou tenta – trazer os diversos acontecimentos diários que envolvem os indivíduos para dentro de uma esfera de controle e ordem, esfera esta coletiva, social. Os rituais, nesse sentido, concedem autoridade e legitimidade quando estruturam e organizam as posições decertas pessoas, os valores morais e as visões de mundo. Dizemos que os rituais emprestam formas convencionais e estilizadas para organizar certos aspectos da vida social, mas por que esta formalidade? Ora, as formas estabelecidas para os diferentes rituais têm uma marca comum: a repetição. Os rituais, executados repetidamente, conhecidos ou identificáveis pelas pessoas, concedem uma certa segurança.Pela familiaridade com a(s) seqüência(s) ritual(is), sabemos o que vai acontecer, celebramos nossa solidariedade, partilhamos sentimentos, enfim, temos uma sensação de coesão social. É assim que entendemos a citação dos autores: “cada ritual é um manifesto contra a indeterminação”: através da repetição e da formalidade, elaboradas e determinadas pelos grupos sociais, os rituais

1 Sally...