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A Língua como Expressão Simbólica

Para Celso Cunha, a língua "é um sistema gramatical pertencente a um grupo de indivíduos. Expressão da consciência de uma coletividade, a LÍNGUA é o meio por que ela concebe o mundo que a cerca e sobre ele age".

Pelo que se sabe, a língua apresenta variações diatópicas (variantes regionais, falares locais etc.), variações diastráticas (nível culto, nívelpopular, língua padrão, etc.) e variações diafásicas (língua escrita, língua falada, língua literária, etc.). Contudo, cabe perceber dentro dessas variações internas o contexto para a utilização da língua. Deve-se ter presente que "a língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideallingüístico de uma comunidade". (CELSO, 1985)

Em contrapartida, a língua não é apenas um meio de comunicação, pois não vive só da função denotativa (informativa). Para Mikhail Bakhtin, Roland Barthes e outros, a linguagem escrita tem outra função grandiosa: a de transgredir a norma, o poder institucionalizado pela gramática, e tem como função maior a expressividade, como se pode constatar no trecho aseguir:

A lingüística do século XIX - a começar por W. Humboldt - , sem negar a função comunicativa da linguagem, empenhou-se em relegá-la ao segundo plano, como algo acessório; passava-se para o primeiro plano a função formadora da língua do pensamento, independente da comunicação. Eis a célebre fórmula de Humboldt: "abstraindo-se a necessidade de comunicação do homem, a língua lhe éindispensável para pensar, mesmo que estivesse de estar sempre sozinho". A escola de Vossler passa a função dita expressiva para o primeiro plano. Apesar das diferenças que os teóricos introduzem nessa função, ela, no essencial, resume-se à expressão do universo individual do interlocutor. A língua se deduz da necessidade do homem de expressar-se, de exteriorizar-se. A essência da língua, de uma forma ou deoutra, resume-se à criatividade espiritual do indivíduo. (Bakhtin, 2000, p.291)
Assim como Bakhtin, Barthes atribuiu à língua uma função maior que a simplesmente de comunicar, viu na língua o "objeto em que se inscreve o poder", afirmando que "a linguagem é uma legislação" e "a língua é seu código". Continuou afirmando que "não vemos o poder que reside na língua porque esquecemos que toda línguaé uma classificação, e que toda classificação é opressiva". Diz ainda que a língua é fascista, pois não impede o sujeito de dizer, mas obriga-o a dizer. Barthes vê a língua como símbolo do poder e objeto de alienação humana. Para ele, a literatura é a única forma de trapacear a língua. Vejamos o que o escritor entende por literatura:

Entendo por literatura não um corpo ou uma seqüência de obras,nem mesmo um setor de comércio ou de ensino, mas o grafo complexo das pegadas de uma prática de escrever. Nela viso, portanto, essencialmente, o texto, isto é, o tecido dos significantes que constitui a obra, porque o texto é o próprio aflorar da língua, e porque é no interior da língua que a língua deve ser combatida, desviada: não pela mensagem de que ela é o instrumento, mas pelo jogo daspalavras de que ela é o teatro. Posso portanto dizer, indiferentemente: literatura, escritura ou texto". (Barthes, 2000, p.16 - 17)
Com esse trecho, percebe-se que Barthes encontra na literatura a liberdade necessária para a criação da língua, uma vez que a literatura é transgressão. "As forças de liberdade que residem na literatura" vêm "do trabalho de deslocamento que ele exerce sobre a língua:desse ponto de vista, Céline é tão importante quanto Hugo, Chateubriand tanto quanto Zola". (Barthes, 2000, p. 17) É evidente que, mais que liberdade, a língua necessita de sabor e a literatura cumpre o papel de alimentar a linguagem escrita, a fim de minimizar seu aspecto protocolar. Disse Barthes: "Na ordem do saber, para que as coisas se tornem o que são, o que foram, é necessário esse...
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