Trabajo familiar.brasil

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TRABALHO FAMILIAR E INSERÇÃO SOCIAL NA ECONOMIA CAFEEIRA CAMPINAS: 1870-19401

Fernando Antonio Abrahão - Mestre em História pelo IFCH – Unicamp Diretor da Área de Arquivos Históricos do Centro de Memória - Unicamp A região de Campinas caracteriza-se historicamente por ter assistido a uma das mais altas concentrações nacionais de trabalho escravo e a um fluxo expressivo de imigrantes, desdemeados do século XIX. Além disso, a região destacou-se entre as mais dinâmicas da economia brasileira, desde a cultura da cana-de-açúcar até à do café, as quais definiram sua estrutura fundiária e projetaram suas forças político-econômicas. Essas forças político-econômicas, por sua vez, contribuíram decisivamente para a implantação e a sustentação inicial do regime republicano no Brasil. Váriaspesquisas foram e vem sendo realizadas tendo como base as empresas e atividades econômicas da região de Campinas. Fazendo um balanço da produção desses trabalhos, identificamos um elemento comum entre as empresas estudadas: o trabalho familiar. Decerto que trabalhos reiteram a importância da imigração de europeus, árabes e japoneses para as transformações sócio-econômicas que tem implicações até osdias atuais no Estado de São Paulo. Uma dessas mudanças está certamente relacionada ao sistema produtivo e ao mercado de trabalho. Se no final do século XIX, a economia brasileira fundamentava-se na produção de café por meio do trabalho escravo, com a política de introdução de trabalhadores imigrantes, promovida pelo governo provincial desde 18712, essa base foi sendo substituída paulatinamente pelamão-de-obra livre e pela diversificação dos ramos comercial e prestador de serviços, da pequena produção agrícola e pela industrialização, resultando na ampliação de um mercado interno ávido pelo consumo de produtos diversificados. Portanto, de acordo com a análise geral dos casos estudados, a inserção da mão-de-obra imigrante no mercado de trabalho paulista promoveu um realinhamentosócio-econômico que propiciou o surgimento de novas

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A apresentação deste trabalho no Simpósio Familia, negócios y empresas en América Latina (18501930), realizado no II Congresso Latino Americano de História Econômica, México, 3-5 de fevereiro de 2010, contou com o apoio da Agência de Formação Profissional da Unicamp (AFPU). Trata-se do meu projeto de doutorado aprovado para iniciar em 2010, naUniversidade de São Paulo. Maria Teresa Petrone (1969: 279) identifica o primeiro estímulo à imigração subvencionada para São Paulo na lei provincial de 30 de março de 1871. Por meio dela, o governo pode emitir 600 contos de réis em apólices, a fim de auxiliar com empréstimos os fazendeiros interessados na introdução de colonos. Novas leis foram promulgadas durante toda a década de 1880. Os totaisanuais de imigrantes que entraram em São Paulo entre 1870 e 1907 estão descritos em: http://www.memorialdoimigrante.org.br/historico/e3.htm (acessado em 28.06.2009).

oportunidades de trabalho, de acúmulo de riquezas e de ascensão social, tanto para os trabalhadores do campo como para os da cidade. O trabalho familiar, característico de alguns grupos étnicos de imigrantes, teria sido uma dasestratégias adotadas por eles para atingirem seus objetivos. Uma parte da historiografia nos mostra as dificuldades enfrentadas pelas famílias desde sua chegada a São Paulo3. Os primeiros italianos, por exemplo, carregavam consigo a cultura do camponês livre que trabalhava a própria terra e dela obtinham o sustento da família e a sua renda. Emigraram com a firme disposição de pouparem seus ganhos a fimde progredirem financeiramente até adquirirem suas propriedades. Contudo, a cultura patronal da época, fincada na longa exploração da mão-de-obra escrava, obrigou-os a um regime contratual coercitivo, o sistema de parceria em colônias agrícolas, que se traduziu num tipo de trabalho de baixa expectativa inicial para a aquisição de propriedades rurais ou de negócios urbanos. Michael Hall (1969)...
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