O aparelho formal da enunciação

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O mecanismo da enunciação e a questão da subjetividade em Benveniste
Suamit Barreiro
Introdução
“Da enunciação procede a instauração da categoria do tempo.
O presente é propriamente a origem do tempo.”
(BENVENISTE, 1989, p.85)

O presente se realiza no ato da enunciação e esta manifestação do discurso o renova a cada instante, vinculando-o à própria existência do homem (BENVENISTE, 1976,p.289). De fato, como representar o presente no eixo da temporalidade e continuidade senão através do ato enunciativo? E qual o referencial para situá-lo, inseri-lo corretamente nessa infinita coordenada do tempo, senão o próprio homem? A enunciação, mediante suas características de subjetividade e relatividade, introduz a instância do presente, inerente a ela própria, determinando seuposicionamento entre aquilo que vai ser e aquilo que já foi em função do eixo EU (BENVENISTE, 1976, p.288).
EU ENUNCIADO TU.
EU ENUNCIADO TU.
Desta forma, fica por conta da enunciação promover a renovação do presente, de maneira contínua, no complexo processo do tempo: “(...) a temporalidade é um quadro inato do pensamento. Ela é produzida, na verdade, na e pela enunciação.” (BENVENISTE, 1989, p.85).Benveniste estabelece uma relação de causalidade e simultaneidade entre os elementos atuantes no processo: EU ENUNCIADO PRESENTE. Processo este, por sua vez, inserido no contexto específico do ato enunciativo:
Conceitos e reflexões como os que antecedem, além de outros, não menos profundos e polêmicos, como a subjetividade ou a natureza dos pronomes, inerentes ao ato enunciativo, são tratadospelo lingüista francês Émile Benveniste em sua obra Problemas de lingüística geral (1976). O aparelho formal da enunciação, quinto capítulo de seu livro seqüencial Problemas de lingüística geral II (1989), no qual centramos o nosso trabalho, trata sobre o funcionamento da língua quando o indivíduo, toda vez que dela se utiliza, realiza-a através do ato enunciativo.
Confrontamos algumas idéias deBenveniste com o pensamento do lingüista russo Mikhail M. Bakhtin, devido a sua clássica discrepância, sobre tudo, em relação a seus respectivos pontos de vista sobre o problema da subjetividade na linguagem. Ambos autores, ainda que com diferentes critérios, são, ao mesmo tempo, igualmente indispensáveis à lingüística moderna. O francês, com sua especificidade, minuciosidade e abrangência; orusso, com uma estranha certeira visão, durante muitos anos reconhecida por poucos na sua terra e até desconhecida pelo mundo. Bakhtin formula postulados de essência universal ainda quando trata de particularidades do discurso literário, a seu respeito Beth Brait escreve:
“Entretanto, o conhecimento progressivo dos diferentes trabalhos do autor, incluindo-se aí o material extraído do arquivosoviético, provocou o interesse, e a conseqüente diversificação de pontos de vista, de outros campos do conhecimento como é o caso da antropologia, da psicologia, da sociologia, e da própria lingüística a partir do momento em que esta teve seu objeto ampliado na direção do discurso.” (BARROS e FIORIN, 1994, p.11).
E concluindo, quando Benveniste afirma:
“Assim a situação inerente ao exercício dalinguagem, que é a da troca e do diálogo, confere ao ato do discurso dupla função: para o locutor, representa a realidade; para o ouvinte, recria a realidade. Isso faz da linguagem o próprio instrumento da comunicação intersubjetiva.” (BENVENISTE, 1976, p.26).
duas coordenadas se cruzam infalivelmente, em direções distintas, porém, estabelecendo um ponto de intersecção comum chamado subjetividade,resulta assim quase impossível, quando se fala em enunciação e discurso, não remeter-se a Bakhtin e a Benveniste.
I. Preliminares
Benveniste coloca o EU como responsável pelas características imanentes da produção do enunciado. Conseqüentemente, a individualidade, inerente ao processo de apropriação da língua, se define quando o EU se declara locutor: “O ato individual de apropriação da língua...
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