O conto josématias

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  • Publicado : 18 de noviembre de 2011
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Universidade Federal do Rio de Janeiro
Aluna: Maria Aparecida Oliveira da Silva DRE: 107402775
O conto “José Matias” de Eca de Queirós trata-se da história de amor de José Matias narrada como um flash back, onde o narrador onisciente começa a contar o caso de amor vivido pelo personagem de José Matias no próprio enterro do tal. O narrador, composto pelo autor, assim como as personagens, contaa história, mas também faz parte dela, já que ele e José Matias eram amigos, segundo o próprio narrador, que tudo vê e tudo sabe do José Matias. Começa definindo o amigo como “um rapaz airoso, louro como uma espiga, com um bigode crespo de paladino sobre uma boca indecisa de contemplativo, destro cavaleiro, duma elegância sóbria e fina” e conta que ele se apaixonou pela divina Elisa, “sublimebeleza romântica de Lisboa,  nos  fins da Regeneração”, a qual ficou dez longos anos contemplando e vivendo com ela dentro de sua alma. Era esposa de Matos Miranda, vizinho de onde morava. Porém Miranda falece e José Matias continua sua contemplação pela deusa Elisa, como se ela fosse intocável e não quer casar-se com ela. Essa reação de José Matias na recusa de aproximação com Elisa provoca nonarrador e, conseqüentemente, no leitor uma patética incompreensão pelo amor espiritualizado de José Matias e esta incompreensão pode ser exemplificada pelas exclamações do narrador: “É o mesmo de sempre! Infinito, absoluto... Mas não quer casar!” e mais, mostra “aquele assombro resignado que convém a espíritos  prudentes perante o Incognoscível;  “ e mais, depois de passar a noite insone, pensando noato de José Matias, “já de madrugada, estafado,  conclui, como se conclui em Filosofia, que me encontrava diante duma Causa Primária, portanto impenetrável, onde se quebraria, sem vantagem para ele, e para  mim,  ou para o Mundo, a ponta do meu Instrumento.”
Um segundo marido aparece na vida de Elisa, e o pobre José Matias rola ladeira abaixo na bebedeira, mas seu amor espiritual pela bela jamaisdiminui. O segundo marido também morre e, como não fica bem a uma senhora direita casar-se pela terceira vez, a divina Elisa arruma um amante carnal, uma vez que sua ligação com o pobre José Matias  mantém-se exclusivamente numa aura espiritual. Ele, que se transformou num farrapo humano- “Quando as janelas de Elisa se apagavam, ainda através da longa noite, mesmo das negras noites de Inverno-encolhido, transido, a bater as solas rotas no lajedo, ou sentado ao fundo, nos degraus da escada- ficava esmagando os olhos turvos na fechada negra daquela casa”- permanece de tocaia, à espreita, agora não só da bela mulher, mas também de seu amante. Talvez, como diz  o narrador, para se informar e vigiar, querendo saber se Elisa esta sendo bem amada carnalmente, já que da alma, cuida ele. Até quemorre.
A história contada pelo narrador é uma história de amor, porém contada com um conceito diferente. Ele fala de amor transcendente, perfeito, platônico, idealizado pelo personagem, imaginado somente na linha do horizonte, um procedimento platônico: tocar na mão de Elisa foi o suficiente. Podemos até pensar em um amor exagerado, inacreditável, cujo final não é o imaginado tanto pelosleitores como pelo narrador e é incompreendido, pois ele teve oportunidade de casar com ela, mas não o fez. Ele anula todo amor que normalmente sentimos e o transcende. Esse mundo de contemplação é o que interessa a José Matias, seu amor era imaculado. Ele não só queria conhecer as idéias filosóficas, como o platonismo, como também queria seguir esse modelo, fato inaceitável tanto pelo narrador quantopelo leitor.
Para criar este conto, o autor usa vários artifícios, além de um conceito diferente de história de amor, para causar o efeito desejado por ele, por exemplo, a ironia que usa tanto para chamar a atenção para o que está sendo contado, “Assim desbaratou, rapidamente, sessenta contos com o amor daquela mulher a quem nunca dera uma flor”, como para criar uma certa ambigüidade sobre o...
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