O dinamismo das 500 maiores empresas não financeiras − o caso particular das empresas da indústria transformadora1

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Prospectiva e Planeamento, 3/4–1997/1998

O DINAMISMO DAS 500 MAIORES EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS − O CASO PARTICULAR DAS EMPRESAS DA INDÚSTRIA TRANSFORMADORA1

ANÁLISE DA INTENSIDADE EXPORTADORA, DA PRODUTIVIDADE APARENTE DO TRABALHO E DA PRESENÇA DE CAPITAL ESTRANGEIRO

Susana Cristina Coelho Costa Escária
Departamento de Prospectiva e Planeamento

1. INTRODUÇÃO Estando Portugal inseridona União Europeia, as relações económicas internacionais são cada vez mais importantes, constituindo uma extensão natural do mercado interno. Em alguns sectores as exportações são bastante significativas, estando muitas empresas vocacionadas para o mercado externo. Muitas destas empresas são detidas por capital estrangeiro e são tidas como aquelas cujos níveis de produtividade aparente dotrabalho são mais elevados. Deste modo, justifica-se a existência de um trabalho que procure analisar as inter-relações entre a intensidade exportadora, a presença de capital estrangeiro e a produtividade aparente do trabalho. É uma tentativa de conhecer melhor a realidade empresarial portuguesa, sendo, na opinião da autora, mais uma reflexão sobre a estrutura produtiva, ainda que cingida à indústriatransformadora. Apesar da crescente terciarização e globalização dos mercados, as maiores empresas da indústria transformadora portuguesa, representavam em 1995, no total das 500 maiores

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Artigo baseado no relatório elaborado no âmbito de estágio relativo ao concurso para técnico superior de 2ª classe do DPP aberto em 30.12.95 tendo sido orientadora a Chefe de Divisão Dra. Graça Ponte daSilva.

Susana Cristina Coelho Costa Escária

não financeiras, 39.9% dos trabalhadores, 78.9% das exportações, 66.3% dos resultados líquidos, 42.2% do VAB e 40% das vendas líquidas, o que atesta da importância deste sector. O presente estudo tem como finalidade, contrapondo as empresas industriais incluídas nas 100 maiores exportadoras às restantes empresas industriais, consideradas nas 500maiores não financeiras, analisar a produtividade aparente do trabalho e a presença de capital estrangeiro. O estudo desenvolveu-se ao longo de dois capítulos, um de carácter geral e de enquadramento e outro dedicado à análise empresarial. O horizonte temporal escolhido foi o da primeira metade da década de 90, sendo que os dados sectoriais disponíveis compreendem o período de 1990 a 1994 e osdados relativos às empresas apenas os anos de 1990, 1994 e, em alguns casos, 1995.

2. A CARACTERIZAÇÃO DA INDÚSTRIA TRANSFORMADORA PORTUGUESA NA PRIMEIRA METADE DA DÉCADA DE 90 Para caracterizar a indústria transformadora portuguesa na primeira metade da década de 90 é necessário ver em que contexto actuam as empresas, quais as motivações de cada uma. Sendo a economia portuguesa uma economia comum grau de abertura ao exterior significativamente elevado e com um mercado interno relativamente pequeno, a perspectiva de vender nos mercados externos, é bastante atraente. A este nível, é importante tecer algumas considerações acerca do processo de internacionalização das empresas, nomeadamente na sua forma mais simples: a exportação. O processo de internacionalização de uma empresa resulta daestratégia adoptada. Segundo os teóricos mais recentes da economia industrial, as diferentes configurações da estrutura do mercado são resultado das estratégias dos agentes e não de condições de base pré-determinadas. Uma empresa ao encetar um processo de internacionalização, tem de ponderar as estratégias alternativas: os produtos e os serviços a oferecer, os mercados onde irá actuar, as funçõesa delegar, a tecnologia incorporada no produto, a delegação ou não das funções de design e de concepção.

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O Dinamismo das 500 maiores Empresas não Financeiras

Existem várias formas de uma empresa actuar no mercado internacional, consoante o grau de risco e controlo dos métodos utilizados, desde as exportações, passando por um conjunto de formas contratuais (contratos de licença,...
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