Protocolo de intervenção nas perturbações do comportamento alimentar

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Protocolo de Intervenção nas Perturbações do Comportamento Alimentar

Introdução
Aquando da decisão de desenvolver um protocolo sobre Perturbações do Comportamento Alimentar, perguntei a amigos de outras áreas o que pensavam estar na base deste tipo de patologias. Após um breve “tratamento estatístico mental”, rapidamente percebi que a maioria considerava que a origem destas perturbações é oculto do corpo (magro) e da imagem perfeita (distorcida ou não) por pressão da sociedade actual. E de facto, esta opinião não se afasta muito daquilo que defendem alguns autores: [“Nos últimos anos, as mulheres têm sido vítimas de diversos padrões de aparência física, que as têm submetido a fortes pressões e a dietas com o objectivo de corresponder às expectativas sociais de magreza. A sociedadeexige e reforça um padrão físico absolutamente irreal e muito distante do que realmente é considerado saudável.”] (Faria e Shinohara, 1998) [“A sociedade valoriza a atractividade e a magreza em particular e faz da obesidade uma condição altamente estigmatizadora, (…) levando grande parte das pessoas à busca frenética do corpo ideal. (…) O corpo transformou-se num objecto de consumo, símbolo devalor, beleza e realização. Os indivíduos como seres sociais, sentem-se pressionados a corresponder ao padrão de beleza da sua cultura – que é exaustivamente apontado pelos mass-média, caso contrário, sentem-se menos atraentes e inferiores, procurando exaustivamente as dietas de emagrecimento.”] (Jorge e Vitalle, 2008) Nas últimas décadas produziu-se uma alteração na concepção do ideal de beleza e,segundo Machado e Machado (2009), a incidência dos quadros clínicos aumentou ao longo da década de 90, factores que poderão estar relacionados; mas se todos vivemos na mesma sociedade (refiro-me à ocidental; na Índia, por exemplo, não existe anorexia e ser obeso não constitui nenhum problema (Belloch, Sandín e Ramos, 2004)), porque é que alguns de nós os desenvolvem e outros não?

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Asobrevalorização da magreza, como factor sociocultural, tem um papel relevante na génese das perturbações alimentares, mas não é suficiente para explicá-los. Resumindo, a incidência aumentou, mas os primeiros casos foram relatados no séc. XVII; afecta maioritariamente as mulheres, mas também há indivíduos do sexo masculino com as mesmas perturbações; inicia-se no início da adolescência, mas também háregisto de casos desenvolvidos precocemente na infância. A idiossincrasia de cada um vai-se formatando através de relações causais multidireccionais e multifactoriais, com base na predisposição biológica do indivíduo. As perturbações alimentares, especificamente, têm também uma etiologia multifactorial, ou seja, são determinados por uma diversidade de factores que interagem entre si de modo complexo,produzindo e, muitas vezes, perpetuando a doença. Pelo exposto, uma avaliação eficaz do indivíduo e um conhecimento aprofundado acerca da etiologia destas perturbações torna-se essencial e imprescindível para uma intervenção efectiva, que conjuntamente com a responsabilização do paciente resulte num tratamento eficaz, sob pena de descorar aspectos relevantes e alvo de intervenção para a mudança.Segundo o DSM-IV-TR (2002), as Perturbações do Comportamento Alimentar incluem dois diagnósticos específicos, Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa, que partilham como característica essencial a distorção da imagem. Estas perturbações podem originar prejuízos biológicos, psicológicos e aumento da morbilidade e mortalidade. Os critérios para o diagnóstico da Anorexia Nervosa (307.1) são: A. Recusa emmanter um peso corporal igual ou superior ao minimamente normal para a idade e altura (por exemplo, perda de peso que leva a manter um peso inferior a 85% do esperado; ou incapacidade em ganhar o peso esperado para o crescimento, ficando aquém de 85% do previsto). B. Medo intenso de ganhar peso ou de engordar, mesmo quando o peso é insuficiente. C. Perturbação na apreciação do peso e forma...
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