Estado psíquico, pensamento e estado cerebral

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FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS
adelheid maria litzinger chiaradia
Graduanda do 4º de Filosofia
UNESP-MARÍLIA
BERGSON- CÉREBRO E PENSAMENTO
UMA RESENHA CRÍTICA

O presente texto de Bergson propõe uma análise mais detalhada da idéia amplamente difundida na história da filosofia de uma equivalência entre estado psíquico, pensamento e estado cerebral. Esta equivalência podeser assim resumida: a consciência não diz nada mais do que se passa no cérebro: ela apenas o exprime numa outra língua; estado cerebral e estado psicológico entram em duas séries de fenômenos que se correspondem ponto por ponto, sem que se atribua à primeira a criação da segunda.
A origem desta tese remonta a Descartes[1] e seu dualismo de substância, durante todo o século XVII as “descobertas”da fisiologia dos diferentes órgãos e sistemas, ganha cada vez mais corpo e vai sendo incorporada não apenas pelos filósofos, mas também pelos estudiosos do corpo humano, médicos principalmente, ganhando cada vez mais força na psicofisiologia . Bergson não se propõe analisar com profundidade a razão pela qual a psicologia, ainda então como psicofisiologia e ramo novo das chamadas ciências humanasda classificação de Kant, tão prontamente aceitou a tese do paralelismo, mas considera que os estudiosos a abraçaram com entusiasmo, primeiro porque o dualismo cartesiano foi apresentado pelos filósofos como solução para intrigante questão da integração corpo/mente e acenava com a possibilidade de oferecer a tradução fisiológica integral da atividade psicológica: uma ciência nova, num domínio deconhecimento novo com um programa investigativo bem definido e auspicioso, partindo de um pressuposto de bases tidas como sólidas. Contudo, o dogma do paralelismo faz uma afirmação completamente diferente do de uma regra científica baseada numa hipótese ad hoc: é uma hipótese metafísica, atribui ao pensamento a supremacia, o comando do cérebro, enquanto corpo, pois o estado cerebral apenasdesenharia as articulações motoras já preformadas no pensamento.De posse do conhecimento de um estado psicológico determinamos o estado cerebral concomitante, mas não o contrário, pois diversos estados psicológicos correspondem a um mesmo estado cerebral.
O que Bergson propõe é provar que a tese do paralelismo se apóia num artificialismo dialético pelo qual se passa de um sistema de notação a outro semlevar em conta a substituição; trata-se de um sofisma bastante sutil e não intencional. Para isto, Bergson analisa a tese do paralelismo alternativamente nos dois sistemas de notação filosófica, realismo e idealismo,
Estes dois sistemas de notação diferem na maneira pelos quais se denominam objetos exteriores e mudanças que nele se operam , como “coisas” ou “representações.”O realismo fala decoisas, o idealismo, de representações. Para o idealista, nada mais há na realidade além do que aparece à consciência individual ou à consciência em geral: nenhuma propriedade da matéria poderia não ser objeto de representação, e todas as articulações do real são articulações das representações. Tudo no objeto é atual ou passível de atualização, não há nada que seja definitivamente virtual; todo oessencial da matéria é mostrável ou mostrado na representação. Para ele, a coisa seria meramente uma coleção de propriedades coexistentes: por exemplo, uma maçã, uma somatória de sua esfericidade, sua vermelhidão, sua suculência etc. Em suma,, o mundo é a totalidade das representações.Para o realismo, essas articulações e divisões visíveis em nossas representações não passam de diferentes maneirasque temos de percepção, já que a matéria existe independentemente de nossa representação. Em outras palavras, sob a nossa representação da matéria há uma causa inacessível desta representação, por trás da percepção do atual há poderes e virtualidades ocultos.. Assim, a maçã seria composta não apenas das propriedades já mencionadas, mas também de uma “substância”ou “essência” subjacente na qual...
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