Casa tomada

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  • Publicado : 10 de octubre de 2010
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Introdução

“Casa Tomada” é um conto do escritor argentino Julio Cortázar, publicado primeiramente na revista Anales de Buenos Aires por Jorge Luis Borges, e depois compilado com outros contos do autor no livro Bestiário, de 1951. Entre os recursos que se encontra no conto de Cortázar, é o uso de pontuação gráfica (neste caso, parêntesis) como reflexo de censura. O enredo é aparentementesimples: o narrador e sua irmã, Irene, imersos na trivialidade da realidade cotidiana, têm a “Casa Tomada”, aonde residem.

A história é narrada por um de seus protagonistas que conta à história dos dois irmãos que sempre permaneceram juntos em uma casa colonial muito antiga, na qual, dedicaram sua vida para mantê-la e cuidá-la. Nenhum dos dois se casou, com o pretexto de cuidar da casa.Depois de uma detalhada descrição da casa, e dos meticulosos costumes de seus habitantes, chega-se ao ápice: a causa de alguns estranhos ruídos (sussurros, o tombar de uma cadeira...), a partir daí os irmãos vão abandonando partes da casa que são tomadas por uma presença anônima. Por fim, a casa toda é tomada, e os irmãos (sem ao menos resistirem) vão embora apenas com a roupa do corpo.Em nenhum momento do conto, o autor deixa claro o que é esta presença anônima que toma a casa. De modo, que é surpreendente a resignação e a facilidade que os dois irmãos abandonam a casa, sua casa, a que eles vieram cuidando unidos, e por tanto tempo se dedicando, sem ao menos lutar por ela.

A pergunta fica no ar: “Tomada pelo que?” O narrador e sua irmã Irene são aristocratas, nobres,detentores de propriedades rurais, então a única fonte de riqueza, citado pelo próprio narrador: “Não precisávamos ganhar a vida, todos os meses, chegava a renda dos campos, e o dinheiro aumentava”  .Porém, no final do século XVIII em função da ascensão do Capitalismo e da Democracia, a aristocracia se tornou uma classe social extinta, já que esta estrutura legal da sociedade, não mais coincidia comas realidades sociais e econômicas.

No texto, se faz referencia a data de 1939: “Eu aproveitava essas saídas para dar uma volta nas livrarias e perguntar em vão(...)Desde 1939 não chegava mais nada importante à Argentina”. Este foi o ano que eclodiu a Segunda Guerra Mundial, já século XX. Ou seja, Cortázar sutilmente nos sugere que os irmãos já morreram, e que agora são apenas fantasmashabitando a casa. Sendo a “Casa Tomada” pelo mundo novo, pelas coisas novas que vieram surgindo com um novo tempo.

Desde o princípio do conto a casa é a figuração de uma preservação: a memória dos parentes, da infância e da história dos personagens. Não é a toa que a casa é grande e espaçosa, Irene e seu irmão já não são jovens, e ambos chegaram a um estado de suas vidas onde a companhiade cada um lhes bastava. Dentro desse universo estruturado, tingido pela memória, a casa desempenha o papel de espelho material desse universo preservado. A vida é rotinizada, bem com a relação entre os personagens: fazem sempre as mesmas coisas, nos mesmos horários, do mesmo jeito. A imobilidade dessas relações e dos rituais cotidianos representa a estagnação de suas histórias e de suas memórias,que deve ser constantemente relembrada e vivenciada: “Fazíamos a limpeza pela manhã, levantávamos as sete(…)Era agradável almoçar pensando na casa ampla e silenciosa e em como nos bastávamos para mantê-la limpa”.

Quando à parte dos fundos é tomada, há uma destruição e esquecimento de uma parte desta memória, há esmorecimento das identidades e da vida material necessária para a realidadeconfortável e bem contornada. Sentem que ali eles perdem mais alguns tons da coloração da vida: a biblioteca com livros franceses, um par de chinelos, um cachimbo de zimbro. A penosa existência depois do grave acontecimento dura pouco tempo, pois logo, a realidade volta a tomar forma da renovada realidade quase estática, constante e sempre existente, entre os dois irmãos. Nós somos o que nós...
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