Cruzda da literatura entre professores e alunos

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Cruzada da Literatura

Josiane Aparecida Martins

...eu podia satisfazer minha curiosidade, viver aventuras, experimentar temores e alegrias, sem me submeter às frustrações que espreitavam minhas relações com os garotos e garotas de minha idade e meu meio social. (Todorov, 2009, p. 16)

O autor Tzvetan Todorov, filósofo e lingüista búlgaro radicado na França desde 1963, em uma de suasúltimas obras Literatura em Perigo, de 2009, declara em seu Prólogo, uma espécie de relato do início de sua relação e paixão com a literatura, o motivo que o levou a este sentimento.
Mais tarde, quando já mantinha uma relação mais que pessoal, mas também, profissional com a arte, seus motivos passaram a serem outros: ... ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria naadolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreende-las. ( p. 23)
Nesta obra de paixão, reconhecimento e respeito pela literatura e seus métodos de abordagem, com argumentos surpreendentes – até para osmais fiéis amantes da “arte pela arte” –, o autor búlgaro vêm nos dizer que o radicalismo em sua observação a afasta de seu real sentido: o conhecimento através da exposição humana, afinal nas obras literárias o leitor é capaz de encontrar “... um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça sua existência; ao fazê-lo, ele compreendemelhor a si mesmo.” (p.33).
Para o autor, apaixonado consciente, a principal função da literatura está em sua participação na formação do indivíduo, “... a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo” (p. 23). Afinal, como descreveu Veríssimo através das palavras de Winchester em Que é Literatura (1907), “alguns de seus elementosessenciais são: a emoção, a imaginação, o pensamento e a forma” (p. ), dentre as quais, três, nitidamente, faculdades humanas.
Ele deixa claro esta como sendo uma das responsabilidades da escola, mais especificamente, do professor de literatura. O amor pelos livros pode nascer em casa, através dos exemplos e incentivos paternos, porém, uma vez que não ocorra desta forma, ou espontaneamente, a missãopassa sim a ser do professor. Este que, por sua vez, como expõe Daniel Pennac em Como um Romance (1992), não pode o fazer se não for um apaixonado por ela. Pois é seu sentimento e seu entusiasmo que incentiva o interesse, o respeito e a descoberta pela paixão pela arte literária.
E é justamente aí que reside o perigo mencionado no título da obra de Todorov, como descreve Caio Meira em seu texto deapresentação da obra: “na forma como a literatura tem sido oferecida aos jovens” (p. 10), partindo de fora para dentro, da teoria para o texto, ”Na escola, não aprendemos a cerca do que falam as obras, mas sim do que falam os críticos.” (p.27).
E aqui, cremos que o autor não está se referindo a crítica formadora de leitores, ao texto de análise e de avaliação estética da obra, escrito em umalinguagem universal (acessível a todos, inclusive a leigos, leitores comuns. Sem deixar de ser apreciável também para os leitores mais conceituados, mesmo não se utilizando de termos técnicos e jargões acadêmicos.), sem interesses particularizantes, e que pretende entender a obra dentro e fora da tradição, a partir de sua relevância humana. Ele fala da crítica mais próxima do status de ciência,especializada e rigorosa, a que propunha Afrânio Coutinho, de linguagem hermética e cientificista a crítica-teórica, aquela que propõe uma reflexão sobre seu próprio objeto de estudo e que encontra no ensaio a sua forma de expressão.
É claro que, obviamente, Todorov concorda que a leitura deve ser orientada e que a chamada Crítica-de-rodapé pode não ser o melhor caminho, como Machado de Assis...
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