Derrame pleural

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Medicina, Ribeirão Preto, 31: 208-215, abr./jun. 1998

Simpósio: DOENÇAS PULMONARES Capítulo III

DERRAMES PLEURAIS: FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO

PLEURAL EFFUSIONS: PATHOPHYSIOLOGY AND DIAGNOSIS

Geruza A. Silva

Docente da Divisão de Pneumologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. CORRESPONDÊNCIA: Geruza A. Silva –Divisão de Pneumologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - Avenida Bandeirantes, 3900 - CEP: 14089-900 - Ribeirão Preto-SP; Fax: 633-6695; E-mail: gadsilva@fmrp.usp.br

SILVA GA. Derrames pleurais: fisiopatologia e diagnóstico. Medicina, Ribeirão Preto, 31: 208-215, abr./jun. 1998. RESUMO: A pleura é a serosa que reveste ospulmões e a cavidade torácica. Os derrames pleurais – acúmulo de líquido entre as pleuras visceral e parietal – constituem a manifestação clínica mais freqüente de doença pleural primária ou secundária. Os derrames decorrentes do envolvimento pleural secundário a doenças torácicas ou sistêmicas são muito mais freqüentes do que os causados por doença primária da pleura, e a sua abordagemdiagnóstica faz parte da rotina de um pneumologista e de várias outras especialidades médicas. O presente artigo consiste numa revisão sobre os conceitos atuais de abordagem dos derrames pleurais, com ênfase aos aspectos de diagnóstico clínico, radiológico e por técnicas invasivas. Os conceitos de Fisiologia e de Fisiopatologia são também apresentados. UNITERMOS:

Derrame Pleural. Exsudatos e Transudatos1. INTRODUÇÃO

A pleura é um folheto contínuo, formado por uma camada única de células mesoteliais, firmemente unidas, apoiadas sobre uma membrana basal e uma frouxa camada de tecido conjuntivo, que liga a pleura à superfície externa do parênquima pulmonar, à parede mediastinal, à superfície torácica do diafragma e à superfície interna da caixa torácica óssea. A pleura que recobre os pulmõese as cissuras interlobares é chamada de visceral e, nos demais trajetos, ela é chamada de parietal. O espaço entre as pleuras visceral e parietal (Figura 1) é um espaço real e contém alguns elementos mensuráveis: uma certa quantidade de líquido límpido e incolor que vai de 0,1 a 0,2 ml/kg de peso corporal, cerca de 1,0 a 1,5 g/dl de proteínas e 1500 células/mm3, dos tipos monócitos, linfócitos,macrófagos, células mesoteliais e polimorfonucleares(1). A baixa concentração protéica do líquido pleural 208

sugere que sua procedência seja a microcirculação sistêmica pleural(2,3). O líquido, na cavidade pleural, é renovado continuamente por um balanço de forças entre as pressões hidrostática e osmótica da microcirculação e do espaço pleural(2,3). Em outras palavras, o líquido pleural élíquido intersticial da microcirculação sistêmica pleural. 1.1. Irrigação sangüínea da pleura O folheto parietal é irrigado pela circulação sistêmica, através de vasos provenientes das artérias intercostais, mamária interna, pericardiofrênicas, frênicas superiores e musculofrênicas, e o retorno venoso, feito pelas veias ázigos, hemiázigos e mamárias internas. O folheto visceral tem irrigação provenientedas artérias pulmonares e de ramos das artérias brônquicas e retorno venoso feito pelas veias pulmonares e pelas veias brônquicas(4).

Derrames pleurais: fisiopatologia e diagnóstico

Membrana basal Interstício parietal extrapleural
C.S

Pleura parietal Espaço pleural

Pleura visceral Interstício pulmonar
C.P

Linfático parietal Estomata

Alvéolo Linfático pulmonar

Válvulaunidirecional

Pmv e Ppmv representam a pressão hidrostática nos compartimentos microvascular e perimicrovascular; ‘s’ é o coeficiente de reflexão para proteína total, da membrana vascular; pomv e popmv representam a pressão osmótica das proteínas nos compartimentos microvascular e perimicrovascular. Quatro mecanismos são capazes de aumentar o fluxo de líquido ao espaço pleural(1,2,3): a) aumento...
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