No cinema, para falar de nós. considerações preliminares sobre os usos do cinema na escola

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NO CINEMA, PARA FALAR DE NÓS.
Considerações preliminares sobre os usos do cinema na escola
 
Fabrício de S. Morais/ UFPE
(fabriciomorais@gmail.com)

Marisa Tayra Teruya/ UEPB
(mtayra@gmail.com)

Vivemos numa sociedade na qual o conhecimento depende, cada vez mais, dos meios de comunicação para a compreensão do mundo, não só porquequase tudo o que se conhece chega através da mídia, mas também porque, enquanto veiculadores de representações do mundo, constroem uma imagem de mundo por meio da qual construímos a nossa. No entanto, percebemos um descompasso entre a velocidade dos tempos, dentro e fora da escola. Esta se apresenta como um espaço onde o tempo é monotonamente marcado a partir dos sinais entre-aulas e intervalos nopátio, este sim, um espaço onde a conexão entre os sujeitos é reativada, por parte dos alunos.
A percepção desta polaridade, nossos projetos de ensino envolvendo a cultura midiática, somados a posicionamentos críticos relacionados à escola, bem como do reconhecimento de suas possibilidades de transformação dos sujeitos, resultaram na proposta de uma ação extensionista universitária baseadaem encontros semanais, com alunos do ensino médio, para assistir filmes e conversar sobre nós mesmos.
Este artigo consiste em algumas reflexões iniciais acerca dessas vivencias ocorridas na escola EEEFM Monsenhor Emiliano de Cristo, na cidade de Guarabira. O desenrolar da atividade tem redimensionado nossas intenções e pressupostos prévios. O espanto diante de algumas reações edeclarações dos sujeitos envolvidos, as condições concretas da operacionalização da ideia nos encaminharam para algumas novas considerações e posicionamentos, os quais esboçamos nas páginas que seguem.

A mídia, a escola e as percepções do cotidiano

A televisão, o cinema, o rádio e a internet, com todas as suas possibilidades de divulgação e compartilhamento de dados, são responsáveis portransformações nos nossos modos de vida, hábitos e na maneira de pensar e de compreender dos sujeitos, extrapolando a função de simples meio de comunicação. Neste trabalho, a mídia é considerada a partir de sua prática pedagógica, e tão (ou mais) poderosa quanto suas outras companheiras de prática pedagógica: a família e a escola. A particularidade do mundo contemporâneo é que essas instâncias vivemhoje em uma tensa e intensa rede de interdependência, agindo simultaneamente na formação do indivíduo, mas pouco afeitas a um diálogo interativo e produtivo.
Enquanto agente educativo, a mídia atua como instância transmissora de valores, padrões e normas de comportamento e também servem como referências identitárias. Sob essa perspectiva, Giroux e McLaren (1995, p.144) ultrapassam a ideiade uma pedagogia definida como um método e conjunto de prescrições instrumentais e de dicas de ensino rumo a uma concepção de um método de investigação cultural que é essencial para o questionamento das condições em que o conhecimento e as identificações são produzidos e certas posições de sujeito são adotadas ou rejeitadas, afirmando que:

Existe pedagogia em qualquer lugarem que o conhecimento é produzido, em qualquer lugar em que existe a possibilidade de traduzir a experiência e construir verdades, mesmo que essas verdades pareçam irremediavelmente redundantes, superficiais e próximas ao lugar comum.

O filme é um objeto cultural capaz de circular conhecimentos (avalizados ou não pela escola) e que cria, institui e divulga pensamentos pedagógicos(compartilhados ou não pela comunidade acadêmica). A estrutura da linguagem fílmica se apropria de recursos digitais e articula infinitas maneiras de criar sons e imagens que codificados nos mais diversos arranjos, podem favorecer novas leituras da realidade, assim como nos permite também “escrever” utilizando uma outra sintaxe, com novos signos. Esta linguagem é muito mais poderosa porque opera...
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