Poesias de remisson aniceto

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Ao censor 
 
Lê e critica meu verso,
que te é permitido fazê-lo.
Só não me prives, te peço,
do direito de escrevê-lo.

Para ver-te

Estás inteira dentro em mim.
Basta para tanto um pensamento.
A ilusão da esperança faz-me viver:
a mentira bem contada satisfaz...
Não te vejo há muito, há muito
e muito tempo...
Talvez nunca te tenha visto,
mas minhamente diz o contrário,
insiste com argumentos que a razão
não ousa combater.
Não é preciso que estejas aqui...
O vento acaricia com mãos invisíveis
e és parte dele, atravessando as frinchas,
sussurrando delícias aos meus ouvidos.
Não é preciso que estejas aqui, não...
Para que eu te veja, bastam-me
os olhos do pensamento...
 
  
Estrela

Minha amada,
tu éscomo as estrelas,
seixos soltos no espaço,
fragmentos pentangulares brilhantes
vagalumeando minhas retinas.
Minha flor,
tu és como as estrelas,
vagas, distantes, quase inatingíveis,
mas reais!
Minha rosa,
tu és como as estrelas,
pingentes de ouro
no colar de safiras do céu.
És como pluma,
algodão que o vento leva.
Meu anjo,
tu és como as estrelas,sonho meu de ser
o sol, a lua, o céu...

 
 
 

Divergências

 

Sendo o beijo sutileza,
o teu beijo já não sinto,
pois ao beijar-te pressinto
que em meus lábios outro beijas...

Se me imploras abraçar-te
e em meus braços te enlaço,
tudo é vão, pois o abraço
não é meu: 'stou noutra parte...

Eis tu, muda; eis-me mudo
na solidão danoite calada.
Sabes que para mim já não és tudo;
sei que para ti também sou nada...
 
 
 
 
 

Vestuário

 

Roupas, roupas,
vestimentas,
enganos do corpo,
engodos, farsas.
Panos, panos,
linhos grossos,
fininhos,
obstrução de caminhos...
 
                          ****
 
 
 
Chuva
 
 
Umcorpo na mesa -
e lá fora o dia chora
águas de tristeza
 
 
 

Áurea

 
Faço poemas
em versos negros
e versos brancos
para que todo poema
seja livre.
 
 
 
 

Nostalgia

 
Helena? Helena? Onde estás agora?
Apesar do pouco tempo da partida,
a lembrança me castiga, faz ferida
e a tristeza solidária me namora.Onda calma de sono me invade
quando oscilo sobre a rede no quintal.
Teus beijos... teus abraços... teu rosto divinal...
que saudade, Helena! Que saudade!

Tremor vago o meu corpo já domina,
ao sentir que a bela fantasia
s'esvaece logo que o sonho termina.

E quem entende a minha dor, o meu desgosto
e a escassez que há em mim de alegria,
é o zéfiro quebanha o meu rosto.
 
 
 
 
Poema furtivo

O poeta ao falar de si fala dos outros,

que cada um tem um quê do outro.

Tudo é como se fosse um amarrio de cordas

seguidas, compassadas, continuadas.

O poeta ao falar dos outros fala de si,

que cada um outro tem um quê de nós,

cada um vive a vida alheia sem saber

e morre na morte do outro.Cada poema é impessoal, é de todos,

ainda que impregnado de evidências da mão.

O meu seu poema dele não existe.
 
 
 
O Amante

Finda o dia e já 'scurece...
Horas vespertinas em que divago
no meu leito inda sem flores.
Estou lúcido e tu me apareces.
Espera! que a dor não trago
e ainda há dia em minha vida.
Minha mente está caduca
evazio é o saco escrotal das minhas palavras.
Quisera ejaculá-las todas, aos borbotões,
em tua página vermelha e negra...
Ah! Se não fosses infecunda!
Transformar-te-ias com a maternidade.
Reagirei, ó Dona Morte, Viúva Triste, Mulher Fatal!
E incutirei em tuas veias os versos deste poema,
marcapasso do meu coração.
Desposaste Mallarmé, Camões, Bilac...
Não te...
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