Spinoza, um homem de seu tempo

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Licenciatura em Filosofia
História da Filosofia IV
Professor Joathas Bello
Aluno Samuel Thimounier

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Spinoza é um homem do seu tempo: move-se num universo significativo cujo critério determinante é a racionalidade. A existência divina é para ele algo que se impõe com a mesma evidência com que da natureza do triângulo se deduz a soma dos seus ângulos. É impossível, portanto, confundir oseu Deus com qualquer divindade proposta pelas diferentes religiões.
O Deus da tradição é sumamente contestado por Spinoza, e isto se percebe já nas primeiras definições da Ética. Deus é formalmente apresentado como “um ser absolutamente infinito, isto é, uma substância constituída por uma infinidade de atributos dos quais cada um exprime uma essência eterna e infinita”. Contrariando asdiferentes correntes religiosas existentes, o Deus de Spinoza é impassível, determinado, necessário, material e imanente. Ele também escusa de qualquer antropomorfismo, não impõe suas leis como um rei ou como um legislador; ele próprio se lhes subordina: age e dirige todas as coisas apenas pela necessidade da sua natureza e perfeição.
Deus é um Todo e não um sujeito. É o próprio mundo, e, desta forma,não podem suas leis distinguirem-se daquelas da natureza, visíveis para um espírito atento que as estuda com diligência. O Deus spinozano é destituído de vontade, manifesta-se na ordem e na conexão dos fenômenos e é avesso às representações imaginárias do vulgo. Este pensa o universo à sua medida, coloca-se no centro da criação e pretende ocupar nela uma posição privilegiada; acredita num planodivino e que as coisas existentes são a concretização desse plano.
Para Spinoza, no entanto, não existe plano algum, isto é, não existe finalismo. Deus é apenas causa eficiente eterna, caracteriza-se pela imediatez e coloca-se desde sempre com todas as suas determinações. Sua perfeição constitui-se numa absoluta autonomia e independência. É absurdo, portanto, falar em criação. Esta pressupõe um Deusimperfeito e carente do mundo — ao qual se pode acrescentar algo.
O espírito geral que perpassa o pensamento spinozano situa a religião no domínio do imaginário, impedindo que a consideremos como conhecimento válido. A revelação, os profetas, a religião, os cultos e as cerimônias não levam, portanto, ao conhecimento verdadeiro de Deus. Nestas coisas não há verdades eternas, assim como não háverdade nos milagres. Para Spinoza, aquilo que se diz milagroso — e, aqui, inclui-se até mesmo a ressurreição de Cristo — não passa de fruto da ignorância.
A Cristo, a propósito, são negados todos os seus poderes sobrenaturais além da sua divindade; estes possuiriam apenas um caráter alegórico. Mas se por um lado Spinoza desmitologiza Cristo tratando-o apenas como homem, por outro, identifica-ocomo modelo ético a ser seguido e entendido por todos. Cristo é apresentado como exemplo de justiça e de caridade, e a moral legada por ele, associada à imitação de sua conduta, constituem uma ótima via para a integração social, para a felicidade e, portanto, para Deus.
As Escrituras também são aceitas como um caminho para Deus — e não só o conhecimento verdadeiro das coisas. Segundo Spinoza, nãoestão em causa dois conceitos de verdade, mas sim duas maneiras específicas de Deus se revelar aos homens. Ao contrário do conhecimento verdadeiro — em que somente o filósofo congratula-se com a possibilidade de encontrar Deus —, as Escrituras alcançam o homem comum ensinando-o coisas simples. Coisas que desempenham, de certa maneira, um papel positivo na aproximação de todos com Deus.
Acategoria do sagrado não é, de fato, dispensada por Spinoza. Este apela para ela quando entra nos domínios mais altos do conhecimento — quando a linguagem comum não se faz suficiente. Ao falar do “amor Dei”, por exemplo, o filósofo recorre aos livros sagrados e ao termo “glória”; e, assim, também o faz ao falar do conhecimento verdadeiro, relacionando-o diretamente ao termo “salvação”.
Ao negar a...
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