A "solução final" para o problema da educação

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A "SOLUÇÃO FINAL" PARA O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO
 
 
 
José Carlos Zamboni
 
Perguntei à jovem se a gratidão não era um valor moral eterno, desejável para todo o sempre.
— Não. Não tenho obrigação nenhuma de ser grata, a menos que escolha esse sentimento. Sou eu quem decide se devo ser grata ou não. Há pessoas que escolhem ser gratas e outrasingratas.
— Você não se sente naturalmente inclinada a ser grata a alguém que verdadeiramente te beneficiou?
Olhei bem nos olhos da moça, enquanto ela negava outra vez. Seu olhar me parecia normal, a voz era até suave, seria, daqui a alguns anos, uma jovem e terna mãe. E, no entanto, morava em seu espírito aquela idéia absurda, terrível, virtualmente perigosa, da liberdadeindividual a qualquer preço.
É isto a juventude: um momento da vida em que, nos melhores casos, a mente passa por todas as vitrinas do espírito e experimenta todas as idéias expostas. O futuro do jovem vai depender das idéias que levar para casa em sua sacola, já que a família está deixando de ser o elo entre a tradição e o presente. E pensar que a maioria dos alunos não terá liberdade paraescolher, pois sua sacolinha já vem sendo sortida de bobagens, desde a infância, pela televisão e a escola.
Foi a mesma jovem, rostinho sem nenhum sinal de sandice, que contou que ia votar na Dilma.
— Afinal, o Lula fez um bom governo, professor. Quem ganha pouco é que pode dizer.
Pensei nos doze anos em que ela passou na escola pública, pensei na sua família. Será que em nenhum dosdois lugares lhe ensinaram que, além do critério econômico, há também, e sobretudo, o moral? É mais uma vida inteira desperdiçada, se não descer do céu uma luz que ilumine o outro lado de sua ignorância (para imitar o que disse o velho Marques Rebelo, no final surpreendentemente “metafísico” do romance realista A estrela sobe, e que os roteiristas da versão cinematográfica do livro, dirigida pelopetista Bruno Barreto, em 1974, trataram de eliminar).
Penso que, por mais que um professor possa fazer por seus alunos, como indicar bibliografia ou esclarecer conceitos, há certas coisas que só dependem deles. Há alguns com verdadeira dificuldade de compreensão, mas os piores são aqueles que, treinados maniqueisticamente na escola básica e média para só enxergar na realidade opressores eoprimidos, recusam com veemência e até insolência qualquer idéia que não se encaixe no "seu" esquema de compreensão do mundo (sabemos quem são os verdadeiros autores do "esquema" e o criminoso trabalho de lavagem mental que é feito, nas escolas, com crianças e adolescentes).
Votei no Serra, votei no Alckmin, me parecem pessoas relativamente “do bem”, mas será possível que não sabem o que sepassa lá na Secretaria de Educação?
Seus altos funcionários cumprem com eficiência a agenda gramsciana de ocupação discreta e hegemônica do país; sabem que a maioria dos brasileiros é conservadora e há coisas, como aborto ou casamento gay, cuja penetração no eleitorado deve ser feita com mais delizadeza e mais lubrificante. Isso, a esquerda tucana sabe fazer muito bem.
Exemplo é odomínio de suas tropas brancas, quase invisíveis, sobre a rede pública de ensino, que faz alunos e professores engolirem como chocolate suíço a mais desprezível doutrinação revolucionária.
Dois anos atrás, as escolas da capital e do interior receberam um pacote com trinta filmes, sob a desculpa de iniciar a molecada nos clássicos do cinema. No pacote quase não havia clássicos, mas obrasengajadas no esquerdismo mais sacana, como Diários de motocicleta. O Che como modelo moral...
No caso presente, quanto mais sobe a estrela do PT, mais as almas caem e se quebram no chão (roubo, aqui, o belo título do romance de Karleno Bocarro, que a editora É acaba de publicar: As almas que se quebram no chão, ambientado na Alemanha Oriental à época da queda e da quebra do muro de Berlim,...
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