Campo de santanna, um campo varios nomes

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  • Publicado : 11 de noviembre de 2011
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UM CAMPO, VÁRIOS NOMES

Manoel Suárez Banzas - DRE 109061070

INTRODUÇÃO

Este texto nasce pelo encontro de vários aspectos dispersos. Um curso de história da cidade, um conto de Machado de Assis encontrado ao acaso, um jardim de infância guardado na memória de um carioca de primeira geração e principalmente de um sentimento.
O curso foi uma mistura de sacrifício e satisfação. Sacrifíciode correr do trabalho para a faculdade e estar em dia com a volumosa carga de leitura. A satisfação de conhecer mais da cidade que adotou minha família e também de apreciar a dedicação e a capacidade de um pesquisador e professor, na figura de Flavio Gomes.
O conto, “Um erradio” de Machado de Assis, é dessas pérolas menos perfeitas, mas que em determinado momento guardam toda beleza em suadiferença. Um percurso cheio da daquela atmosfera de estranhamento e ambigüidade tão característica do bruxo do Cosme Velho.
Minha primeira escola foi o Jardim de Infância Campos Sales, instituição publica localizada no Campo de Santana, inaugurada em 1909 foi uma das precursoras do ensino pré-escolar no Rio de Janeiro. Lembro da bata xadrez e das cotias e de uma educação gratuita e de excelência.
Osentimento decorre de caminhar pela cidade e verificar o quanto da sua geografia não é natural e sim uma contínua intervenção humana. Esta geografia carioca é totalmente historicizada. Florestas replantadas, morros desmontados, ilhas abraçadas pelo continente, praias devoradas pelo porto outras recriadas por aterros, lagoas suprimidas... Este cenário mundialmente celebrado por suas belezasnaturais tem esta questão de artificialidade, tal como uma construção civil existe no Rio de Janeiro uma engenharia do ambiente natural. Percorrer o cenário carioca é um contínuo questionamento histórico.
Onde estão os lugares descritos por Machado, o cais da Igrejinha hoje está a um quilometro de um mar que nem sequer é mais visto. A solidão dos desterrado, hoje é uma das vias mais congestionadas dacidade. O Saco do Alferes além de perder seu litoral fica em um bairro que a própria cidade esqueceu.
A proposta deste trabalho parte de um lugar, o Campo de Santana, origem do percurso do erradio, pretendo fazer uma breve análise da evolução histórica deste endereço tão familiar a todos os cariocas. Este interesse nasceu também da leitura do texto de Martha Abreu sobre a festa do divino e de umafoto que mostra um campo aberto com uma estranha e enorme construção. Que lugar é esse quanta história ele pode nos contar, quantos nomes diferentes podemos encontrar, bem-vindo a um campo por onde a história passou.

UM ERRADIO

“Realmente, estava fatigado, precisava dormir. Quando ia a voltar para casa, perguntei a mim mesmo se ele iria sozinho, àquela hora, e deu-me vontade deacompanhá-lo de longe, até certo ponto. Ainda o apanhei na Rua dos Ciganos. Ia devagar, com a bengala debaixo do braço, e as mãos ora atrás, ora nas algibeiras das calças. Atravessou o Campo da Aclamação, enfiou pela Rua de S. Pedro e meteu-se pelo Aterrado acima. Eu, no Campo, quis voltar, mas a curiosidade fez-me ir andando também. Quem sabe se esse erradio não teria pouso certo de amores escondidos? Nãogostei desta reflexão, e quis punir-me desandando; mas a curiosidade levara-me o sono e dava-me vigor às pernas. Fui andando atrás do Elisiário. Chegamos assim à ponte do Aterrado, enfiamos por ela, desembocamos na Rua de S. Cristóvão. Ele algumas vezes parava, ou para acender um charuto, ou para nada. Tudo deserto, uma ou outra patrulha, algum tílburi, raro, a passo cochilado, tudo deserto elongo. Assim chegamos ao cais da Igrejinha. Junto ao cais dormiam os botes que, durante o dia, conduziam gente para o Saco do Alferes. Maré frouxa, apenas o ressonar manso da água. Após alguns minutos, quando me pareceu que ia voltar pelo mesmo caminho, acordou os remadores de um bote, que de acaso ali dormiam, e propôs-lhes levá-lo à cidade. Não sei quanto ofereceu; vi que, depois de alguma...
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