El hijo del sol

Solo disponible en BuenasTareas
  • Páginas : 18 (4429 palabras )
  • Descarga(s) : 0
  • Publicado : 14 de septiembre de 2012
Leer documento completo
Vista previa del texto
Novembro de 2011 - Nº 10

Duas versões dramáticas do mito do filho do Sol Carlos Junior Gontijo Rosa1

RESUMO: Observando as diferentes leituras do mito de Faetonte, originalmente contado por Ovídio (43 a.C.~18 d.C.) em suas Metamorfoses (séc. I d.C.), em comparação com a peça El hijo del Sol, Faetón (1662), de Calderón de La Barca (1600-1681), percebe-se em O Precipício de Faetonte (1738),de Antônio José da Silva (1704-1739), um tom diferenciado de exploração da narrativa ovidiana, usada apenas como mote, sem relação direta com grande parte das cenas da ópera joco-séria portuguesa. ABSTRACT: Observing the different readings of the myth of Phaeton, originally told by Ovid (43 B.C~18 A.C.) in Metamorphoses (cent I A.C.) compared with the play El hijo del Sol, Faetón (1662), byCalderón de La Barca (1600-1681), it is noticed in the play O Precipício de Faetonte (1738), by Antônio José da Silva (1705-1739), a different tone in the exploration of narrative, only use as a motto, without a direct relation to the great number of the scenes of the portuguese joco-serious opera. PALAVRAS-CHAVE: Releitura; Tragicomédia; Fábula; Mito. KEYWORDS: Dialogism; Tragicomedy; Plot-structure;Myth.

O mito é o nada que é tudo. Fernando Pessoa. Mensagem.

O mito da queda do filho do Sol, contado por Ovídio nas Metamorfoses (I a.C.), ecoa dramaticamente nas obras de Pedro Calderón de La Barca (1600-1681) e Antônio José da Silva (1705-1739), adaptadas de forma livre do original, provavelmente perpassado pelo viés “moralizante” que a obra ovidiana adquire na Idade Média. Escrito emfrancês antigo, mas de autoria contestável, no Ovídio Moralizado “cada história é seguida de uma interpretação que expõe o significado oculto da fábula, desenvolvendo, às vezes, um prenúncio do Novo Testamento, às vezes, uma alegoria moral, histórica, geográfica ou científica.”2 (GRENTE, 1992, p. 1093).

1

Mestrando em Teoria e História Literária pelo Instituto de Estudos da Linguagem daUniversidade Estadual de Campinas. Projeto: “O criado e o semideus: o tragicômico em O Precipício de Faetonte, de Antônio José da Silva”. carlosgontijo@gmail.com 2 Tradução nossa, bem como nas demais citações de textos teóricos. Para os trechos da peça El hijo del Sol, Faetón, de Calderón de La Barca, optamos por manter a língua original, uma vez que a tradução poética dessa peça não é nosso interesse napesquisa, e que a tradução sumária dos trechos não estaria à altura dos versos calderonianos.

Revista Crioula – no. 10 – Novembro de 2011

Muitos outros autores medievais buscaram moralizar os mitos. Temporalmente próximo de Caderón de La Barca está Juan Pérez de Moya, que em 1585 escreve a sua última obra, Philosofía secreta de la gentilidad. Nesse compêndio mitológico grecoromano, Pérez deMoya, após apresentar uma possibilidade histórica de surgimento do mito, encontra a moralidade da fábula de Faetonte da seguinte forma: também para repreender aos que sabem pouco e menos, usam-se das ciências; e que os grandes impérios, administrações e a República não sejam entregues a moços ou a homens de pouco saber, mas a sábios e experimentados. Admoesta-nos, também, que os filhos nãomenosprezem os conselhos dos pais, se não querem ter mau final. (MOYA, 1995, p. 244). Sobre a permanência do texto ovidiano ao longo da Idade Média latina e seus ecos, Ernst Curtius (1996, p. 50) afirma que “As Metamorfoses eram também o repertório empolgante e romanesco da mitologia. [...] Era preciso conhecer As Metamorfoses muito bem; do contrário, impossível compreender os poetas latinos”. Por outrolado, nem Antônio José, nem Calderón de La Barca fixaram-se no mito antigo, mas, ao contrário, eles promoveram uma releitura de seu conteúdo, atualizando-o. “Se o sistema convencional do mito greco-latino favorece uma transmutação purificante e glorificadora – não permanece por isso menos vulnerável, pois que a autoridade de que se vale não é nada mais do que um hábito estético” (STAROBINSKI,...
tracking img