Jn e os 12 segundos de escuridão

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008

Jornal Nacional e os 12 segundos de escuridão1 Phellipy Pereira JÁCOME2 Ana Dourado CAMPOS3 Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

PALAVRAS-CHAVE: mídia; homofobia; Jornal Nacional, noticiabilidade.

Unfaro quieto nada sería. Guía mientras no deje de girar. No es la luz. Lo que importa en verdad son los 12 segundos de oscuridad. (Jorge Drexler)

Luz. Eis a única coisa que imaginamos quando nos vem à cabeça a imagem de um farol, cuja função é identificar aos navegantes a proximidade de algum porto ou de algum obstáculo. No entanto, como bem propôs o compositor uruguaio Jorge Drexler ao observaro farol do cabo Polônio, a luz é apenas um dos seus elementos. Elemento esse que só faz sentido graças aos doze segundos que o registro luminoso demora para dar uma volta completa em torno de si mesmo. Durante esses dozes segundos é a escuridão quem impera. Essa escuridão é fundamental para que o farol cumpra seu propósito. Essa metáfora é reveladora, pois demonstra a impossibilidade de ainformação existir sem que haja o que, a princípio, chamaremos de não-informação. A comunicação só se faz possível através da não-comunicação.

Esse artigo é um recorte do projeto Mídia e Homofobia, financiado pelo Ministério da Saúde e a UNODC (Secretaria das Nações Unidas para as Drogas e Crime) realizado pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania GLBT (NUH) da UFMG. Durante os três primeiros mesesda coleta de dados foram recolhidos textos de quatro veículos impressos e de dois telejornais. Foram eles: O Globo, Folha de S. Paulo, O Tempo, Jornal Nacional e MGTV 2ª edição. A metodologia de trabalho foi a seleção de todo material que tivesse alguma relação com identidades sexuais, homofobia, AIDS/HIV ou
1 Trabalho apresentado na Sessão Jornalismo e Editoração, da Intercom Júnior – Jornada deIniciação Científica em Comunicação, evento componente do XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2 Estudante de Graduação 5º semestre do Curso de Comunicação Social da FAFICH-UFMG, email: phellipy@ufmg.br 3 Estudante de Graduação 5º semestre do Curso de Comunicação Social da FAFICH-UFMG, email: douradocria@gmail.com

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Intercom – Sociedade Brasileira de EstudosInterdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008

outras DST’s. No caso das identidades sexuais, foram recolhidas todas as matérias que tratavam de forma explícita ou não de gays, lésbicas, bissexuais, transformistas, travestis, transexuais, homens que fazem sexo com outros homens, mas que não se consideram como gays (HSH), emulheres que fazem sexo com outras mulheres, mas não se consideram lésbicas (MSM). Ainda contemplamos dentro das identidades sexuais as siglas GLS, LGBT ou variações destas. Optamos também por contabilizar as matérias que abordavam a pedofilia. Apesar de não compor o universo das identidades LGBT, consideramos importante, naquele momento, a colocação dessa última “identidade sexual” para que nãocorrêssemos o risco de perder nenhuma matéria. Esse risco se deve ao fato de serem possíveis problematizações do tipo: a relação entre um adulto e uma criança de mesmo sexo pode ser considerada homossexual?

A homofobia é considerada nesse artigo como a repulsa ou a condenação da homossexualidade e definida por Daniel Borrilo como “a atitude hostil a respeito de homossexuais, homens ou mulheres”.Atitudes homoeróticas e seus agentes são alvos de violência e rechaços. O homossexual é colocado como anormal, doente e depravado, ocupa uma posição social inferior ao heterossexual que, num extremo oposto, é considerado como o modelo natural a ser seguido. Existe uma necessidade clara de se problematizar a homofobia e todas as suas formas de violência para entender o porquê de a homossexualidade não...
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