Adolescencia

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INTRODUÇÃO

O século passado marcou um período que oscilou entre uma visão negativa e positiva da adolescência. Por um lado, vários profissionais de saúde consideraram-na um período de “stress e turbulência”, enquanto outros assumiram uma abordagem centrada nas oportunidades de crescimento e de desenvolvimento saudável que caracterizam esta fase (e.g., Feldman & Elliott, cit. in Compas, Hinden,& Gerhardt, 1995). A presente dissertação adopta uma perspectiva desenvolvimentista, positiva e sistémica da adolescência, considerando-a uma fase com dificuldades, mais-valias e desafios, mas, acima de tudo, como um período de crescimento e evolução crucial para a formação do futuro adulto. Apesar de reconhecermos que existem múltiplos âmbitos de estudos e factores que influenciam as vivênciasdo jovem, destacámos o desenvolvimento interpessoal como uma peça vital para compreender o modo como os adolescentes se adaptam ao mundo que os rodeia. Após seleccionarmos o tema e termos a “lente” estivesse focada, várias questões se nos colocaram de imediato, quando desejámos aprofundar e explorar melhor o tema: “Por onde começar?”, “Quais as relações mais significativas para o adolescente?”,“Qual o papel das figuras mais próximas no ajustamento do jovem?”, “Como compreender se o adolescente se liga a elas de modo semelhante ou distinto?” Em primeiro lugar, pareceu-nos importante delinear o tipo de relação que nos interessava estudar, tendo em conta que o jovem se insere em múltiplos contextos relacionais com características diferenciais e específicas. Optámos, assim, por nos centrar naimportância das figuras parentais (como representantes fulcrais do sistema familiar), dos amigos mais próximos (enquanto parte integrante das dinâmicas sociais ocorridas nesta fase) e dos pares amorosos (onde o jovem vai beber as primeiras experiências de uma intimidade partilhada) nas vivências “em relação” dos adolescentes. Sabe-se que a natureza e a qualidade das experiências precoces ocorridasno contexto familiar assumem-se como peças-chave para o bem-estar sócio-emocional do ser humano ao longo da vida. Nos últimos 50 anos, muito se tem escrito, pensado e investigado sobre a associação entre as relações pais-filhos e a qualidade das relações 1

estabelecidas com os pares, nomeadamente com os parceiros amorosos (Collins, Cooper, Albino, & Allard, 2002; Conger, Cui, Bryant, & Elder,2000), e a ligação entre relações pais-filhos e ajustamento e bem-estar adolescente, quer a curto, quer a longoprazo (Overbeek, Vollebergh, Engels, & Meeus; Steinberg, Lamborn, Darling, Mounts, & Dornbusch, cit. in Overbeek, Stattin, Vermulst, Ha, & Engels, 2007). Os estudos realizados neste âmbito têm-se baseado em diferentes perspectivas teóricas (e.g., perspectivas sócio-cognitivas,desenvolvimentistas, sistémicas). Porém, a nossa revisão bibliográfica mostrou que, em geral, todas partilham da ideia que as experiências negativas no contexto familiar predizem o desenvolvimento de dificuldades emocionais e sociais a vários níveis (ver Schaffer, 2000), como, por exemplo, a incapacidade de estabelecer e manter relações amorosas satisfatórias (Ainsworth, 1989). A literatura tem igualmenteprestado particular atenção à satisfação com as relações com os pais e com os amigos, uma vez que a qualidade das mesmas está associada a consequências positivas para o adolescente (Hansell & Mechanic; Noom, Dekovic, & Meeus; Bina, Cattelino, & Bonino, cit. in Overbeek, Stattin, Vermulst, Ha, & Engels, 2007). Por sua vez, os pares desempenham um contributo de grande relevância para a adaptaçãopsicossocial nesta fase de vida, nomeadamente enquanto contexto protector contra comportamentos desviantes, depressão e sentimentos de alienação (Schneider, Wiener, & Murphy, 1994; Bukowski, Newcomb, & Hartup, 1996). Os pares românticos começam a ganhar também maior importância enquanto promotores de companheirismo, intimidade (Furman & Buhrmester, 1992), interdependência e proximidade (Laursen &...
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