Diccionario

Solo disponible en BuenasTareas
  • Páginas : 322 (80361 palabras )
  • Descarga(s) : 0
  • Publicado : 16 de febrero de 2011
Leer documento completo
Vista previa del texto
DICIONÁRIO FILOSÓFICO
Voltaire

APRESENTAÇÃO
Nélson Jahr Garcia
Voltaire (1694-1778) foi um dos maiores pensadores de seu tempo. Seu estilo, inconfundível, está presente em todos os seus romances, peças teatrais, trabalhos sobre filosofia e ciências. O traço mais marcante de seus textos é a agressividade inteligente, manifesta através de críticas ácidas e de uma ironia grave, geralmentebeirando o sarcasmo.

É o patrono deste site, cujo lema é "Ridendo Castigat Mores" (com o riso se castigam os costumes).

Voltaire, com humor, castigou reis, nobres, ministros, religiões, teorias científicas e filosóficas. Nesse aspecto "Dicionário filosófico" é, talvez, o trabalho mais significativo. Não perdoou autoridades, costumes, crenças ou teorias; é difícil lembrar algumaque não tenha sido alvo de sua verve.

Suas críticas procuram demonstrar as contradições embutidas nas concepções que ataca. Às vezes o faz de forma leve e sutil, como neste argumento, em que ridiculariza a certeza humana:
Se perguntásseis a todos os homens antes de Copérnico:- O sol levantou-se hoje? O sol se pôs?
- Temos absoluta certeza - responder-vos-iam à uma
Tinhamcerteza, e no entanto estavam errados.

Em outros momentos, investe com mais severidade:
Pretendiam alguns escritores europeus que nunca haviam estado na China que o governo de Pequim era ateu. Wolf elogiara Pequim. Logo, Wolf era ateu. Melhores silogismos nunca souberam forjar a inveja e o ódio

Não raro recorre à hostilização aberta:
As inimitáveis tragédias de Racineforam todas criticadas, e pessimamente: porque as criticaram rivais. Certo, os artistas são juizes de arte competentes, porém quase sempre lhes falta integridade.

Chega a apelar para a pilhéria:
Assistia eu certa vez à representação de uma tragédia em companhia de um filósofo.
- Como é belo! - dizia ele.
- Que viu o sr. de belo?
- O autor atingiu seu fim.
No diaseguinte ele tomou um purgante que lhe fez efeito.
- O purgante atingiu seu fim - disse-lhe eu. Eis um belo purgante. Ele compreendeu não se poder dizer que um purgante seja belo, e que para chamar belo a alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer. Conveio em que a tragédia lhe inspirara estas duas emoções, e que nisso estava o to kalon, o belo.

Em outros casos o chistechega a ser corrosivo:
Ben al Betif, digno chefe dos dervís, disse-lhes um dia: "Meus irmãos, muito conveniente é que useis com toda freqüência esta fórmula sagrada do nosso Alcorão: Em nome de Deus mui misericordioso, pois Deus usa de misericórdia e vós aprendereis a praticá-la com repetir freqüentemente os termos que recomendam uma virtude sem a qual poucos homens restariam sobre a terra.Mas, meus irmãos, abstende-vos de imitar esses temerários que a todo transe se jactam de trabalhar pela glória de Deus. Se um jovem imbecil sustenta uma tese sobre as categorias, tese presidida por um ignorante encasacado, não deixa de escrever em grossos caracteres no cabeçalho de sua tese: Ek Allah abron doxa: ad majorem Dei gloriam. Um bom muçulmano fez pintar o seu salão gravando em sua portaessa tolice; um saca carrega água para maior glória de Deus. É um costume ímpio, piedosamente posto em uso. Que diríeis de um pequeno tchauch que ao limpar a privada do nosso ilustre sultão gritasse: "Para maior glória do nosso invencível monarca"? Há certamente maior distância do sultão a Deus que do sultão ao pequeno tchauch.

Voltaire não simpatizava com menções a milagres e reprovava:Segundo a energia do termo, um milagre é uma coisa admirável. Nesse caso, tudo é milagre. A ordem prodigiosa da natureza, a rotação de cem milhões de globos ao redor de um milhão de sóis, a atividade da luz, a vida dos animais, constituem perpétuos milagres.
Segundo as idéias aceitas, chamamos milagre à violação dessas leis divinas e eternas. Assim, quando houver um eclipse do Sol...
tracking img