Entrevista com criança de rua

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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS
PSICOLOGIA DA CRIANÇA II
PROFESSORA: MÁRCIA LUCONI VIANNA
ALUNO: CLARISSA NIEDERAUER LEOTE DA SILVA

- RELATÓRIO DA ENTREVISTA COM CRIANÇA EM SITUAÇÃO DE RUA –

* O contexto e o desenvolvimento da entrevista:

Escolhi a cidade de Porto Alegre para procurar uma criança que contemplasse o objetivo do trabalho. Assim, na manhã de sábado, 30/04/11, às10h: 30min me desloquei de Esteio à Porto Alegre, na companhia de meu noivo, pois preferi não ir sozinha, a fim de me sentir mais segura para chegar e conversar com a criança. Inicialmente decidimos ir ao Strip Center, pois lá, há uma praça ao lado em que, geralmente, encontram-se crianças pedintes na rua. Chegamos lá às 11h e para nossa surpresa, não avistamos nenhuma criança naquele local. Apróxima opção então foi o Parque da Redenção, que seria mais um ponto de Porto Alegre onde frequentemente vê-se crianças em situação de rua circulando pelo ambiente. No entanto, novamente não localizamos nenhum menino ou menina. Por fim, nossa última parada foi no centro da cidade. Já eram 12h:30min. Começamos a caminhar pelas principais ruas observando se havia alguma criança que pudesse ser opersonagem do trabalho. Não demorou muito, avistamos três crianças, pedindo dinheiro na frente de uma lotérica. A mais novinha, que devia estar na faixa dos três anos, era quem segurava a caixinha para arrecadar as moedas. Pensamos então em chegar nelas, mas logo vimos que a mãe estava bem próxima e que ela estava muito atenta ao dever que eles tinham: abordar as pessoas para conseguir uns “trocados”.Dessa forma, caminhamos em direção a Rua dos Andradas, foi quando observei um menino, de origem indígena, sentado em um pano no chão, na frente de uma loja, sozinho, com uns artesanatos do seu lado. Meu noivo e eu passamos na frente da criança, ela nos olhou, eu lhe dei um sorriso e a mesma o retribuiu. Notamos que ao nos afastarmos ela continuou olhando. Aí, comentei: “É essa!”. Para não ir atéa criança simplesmente querendo conversar, resolvi antes passar numa loja e comprar um ovo de chocolate e uma caixa de bombom, já que estamos em época de Páscoa e seria uma forma de me aproximar, mas também de fazer algo de bom para a criança. Comprei os chocolates, meu noivo decidiu ficar ao longe, para que eu me aproximasse da criança sem que ela se sentisse constrangida e não chamasse aatenção da mãe (percebemos que estava por perto), pois, por sermos um casal, esta poderia pensar que estivéssemos com alguma intenção de intimidarmos a criança ou algo semelhante.
Cheguei perto do menino. Ele estava de cabeça baixa, mexendo em seus pés e recolhendo umas moedas que estavam no chão para colocar numa caixinha. Observei que ele estava com a roupa suja, mas sem rasgos, pés e mãos imundos,estava descalço, porém, tinha um chinelo do lado da caixinha de moedas. Dentro dessa caixa, havia também dois wafers de chocolate (bis) e a metade de um pacote de bolacha. Abaixei-me e fiquei de joelhos para ficar no mesmo campo visual da criança. Foi então que exclamei um “oi”. Nesse momento, o menino levantou a cabeça, apresentando uma expressão de estranhamento, mas, mesmo assim respondeu com umoi tímido, quase não se ouvia o som de sua voz. Até esse instante, ele não tinha percebido que eu carregava uma sacola com os chocolates. Perguntei-o se tinha ganhado algum chocolate de Páscoa e ele respondeu apenas mexendo a cabeça com um sinal de não, com o rosto de expressão neutra, mas mantendo o olhar de desconfiado. Peguei o ovo e a caixa de bombom da sacola e lhe disse: trouxe unschocolates pra ti, quer? A criança respondeu, já querendo esboçar um sorriso, que sim, mas apenas fazendo o gesto positivo com a cabeça. Alcancei os chocolates nas mãos dela e ela, olhando para mim, pegou a caixa e colocou no seu colo. O ovo ela ficou segurando. Após isso, ela deu um sorriso, seu semblante mudou, estava contente. Lancei mais uma pergunta: “qual o teu nome?”. Ela respondeu com a voz...
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