Estética de adorno e benjamin

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"Já não se sonha mais com a flor azul"
A estética de Theodor Adorno e Walter Benjamin∗ José Manuel Silva Universidade da Beira Interior

Índice
1 A Criança e o Mestre 2 O homem da instituição versus o flâneur 3 A dialéctica negativa versus o mundo das aparências 4 Anti-vanguardismo versus Surrealismo 5 Sob o signo tentacular da dominação 6 O fascínio da infinita reprodutibilidade 7 Salvar aestrela dançante 8 Bibliografia 4 5 7 8 10 12 14 16

A citação de Walter Benjamin que dá o título ao presente trabalho servirá de mote na discussão mantida em torno da obra de arte na contemporaneidade. O facto novo que aqui emerge é viver-se numa era que pulverizou por completo os modelos e categorias antigas do Belo, devido à assunção do conceito de "reprodutibilidade técnica"que integra a obraestética na esfera industrial da cultura. Perante uma época que tem como única certeza o seu fim, é lícito perguntar, à maneira kantiana, "O que podemos esperar?"e


Fevereiro de 1997

"O que devemos fazer a seguir?". As respostas a estas questões serão procuradas, sobretudo, na fecundidade das divergências entre Theodor Adorno e Walter Benjamin, representantes máximos da Escola de Franckfurt. Abusca aqui proposta prende-se com a ideia de que Adorno, ao assumir como princípio da sua crítica a não identidade entre razão e real, leva até ao fim uma dialéctica negativa de onde não se pode escapar, enquanto Benjamin assimila e transforma toda esta negatividade em admiráveis mundos novos, infinitamente geradores de possibilidades e fascínio. Se aceitarmos a noção de que Hegel foi "o inventor deum triciclo a que chamaram dialéctica"(Melo, 1977: 16), podemos dizer que na teoria adorniana falta uma das rodas ao veículo ó a "síntese"é sempre impossível de alcançar. Para Adorno, a transformação que ocorre no universo da cultura dá-se como um acidente repressivo, e a razão aí só pode erigir-se como negatividade. Este percurso de crítica do pensamento moderno sobre si próprio é levado porAdorno a formas paroxísticas, que estão patentes no paradoxo da razão que intenta refutar a própria razão. O único sentido da crítica, e que permite à razão não se transformar em anti-razão, é o carácter não conclusivo de

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José Manuel Silva

uma reflexão dialéctica que não cessa de recolocar em questão os seus próprios resultados. Esta é, aliás, a força do pensamento adorniano. Ora estaprofunda negatividade, a que subjaz, evidentemente, o colapso da razão que se esmaga sobre si própria nas suas investigações, desvanece-se no pensamento de Benjamin, e aquilo que para Adorno era considerado "o retorno à barbárie", constitui neste último mais uma fonte de esperança, mais um caminho que pode vir a ser trilhado pelo homem nas novas formas de arte que estão ao seu dispor. Como se sabe, aquestão estética, desde que Sócrates respondeu a Hípias que "o Belo não era um atributo particular de mil e um objectos; sem dúvida, homens, cavalos, vestuário, virgem ou lira são coisas belas; mas acima de tudo isso, existe a Beleza em si"(Huisman, 1984: 16), acompanhou para sempre o homem. Platão, discípulo de Sócrates, dá os primeiros passos na busca deste Belo. No Fédon, o filósofo grego dizque na origem de toda a beleza deve haver "uma primeira beleza que pela sua presença torna belas as coisas que designamos por belas, qualquer que seja o modo como se faz essa comunicação"(Huisman, 1984:17), e é só pela ascese dialéctica que ascenderemos amorosamente a esse cume ideal do mundo das ideias, onde o perfeito Belo resplandece. Muitos séculos passaram até que se despertasse deste sonhodogmático de existência de um belo-em-si, e para tal foi preciso esperar pela figura tutelar de Kant, que na "Crítica do Juízo Estético"pretende "superar a antinomia fundamental entre a ideia de um gosto subjectivo, imbuído do que a sensibilidade comporta de contigência, particular e arbitrário, e a ideia de um gosto universal e

necessário. Entre estes dois pólos, o gosto ficava apenas reduzido...
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