Marcas da poética de sá-carneiro na lírica de álvaro de campos

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  • Publicado : 15 de noviembre de 2010
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MARCAS DA POÉTICA DE SÁ-CARNEIRO NA LÍRICA DE ÁLVARO DE CAMPOS: UM DIÁLOGO ENTRE SIMILITUDES VISÍVES

Autora: Yashmin Michelle Ribeiro de Araujo – UFC[1]
Orientador: Prof. Dr. Roberto Pontes de Medeiros – UFC[2]

RESUMO: Com os integrantes da revista Orpheu, dá-se o surgimento do Modernismo em Portugal. Dentre os nomes ligados à revista encontram-se os de Sá-Carneiro e FernandoPessoa, tendo esse último se tornado conhecido no cenário literário pela criação de heterônimos, inclusive Álvaro de Campos. Este apresenta sua obra dividida em três fases: a do Decadentismo; a da busca das sensações, do Futurismo; culminando com a desilusão existencial e a consciência da incapacidade de apreensão da diversidade do real. Munindo-nos de alguns poemas da primeira e da terceira fasesde Campos, buscaremos resgatar traços da poética de Sá-Carneiro no que tange às linhas mestras de seus escritos: o mergulho labiríntico em sua subjetividade e o sonho icárico de ascender ao Além. Este trabalho será comparativo e utilizará poemas de Sá-Carneiro e de Álvaro de Campos, os quais serão postos em confronto para neles identificarmos algumas similaridades.  Conforme as leituras járealizadas, percebemos haver semelhança entre poemas dos citados autores, o que nos leva a crer que Pessoa deixou-se influenciar pela cosmovisão do amigo Sá-Carneiro ao criar seu heterônimo futurista.

Palavras-chave: Mário de Sá-Carneiro, Álvaro de Campos, influência.

Considerações iniciais
É sabido que um dos momentos culturais mais fecundos e criativos da história da humanidadedesenvolveu-se nos princípios do século XX, com as doutrinas estético-filosóficas que propunham dilatar a essência da modernidade e instaurar a quebra com as correntes e tendências obsoletas e tradicionais. Os “ismos”, vulgarizados como as vanguardas do século, irão disseminar seus princípios por todas as civilizações. Massaud Moisés (1994) assevera que eles alcançam Portugal no ano de 1915, pelas mãos dosintegrantes[3] da revista Orpheu, que buscarão divulgar a voga modernista no país. Dentre os mentores da revista encontram-se Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Este último se fragmentou (ou melhor, se despersonalizou), ao inventariar inúmeros heterônimos, dando vida inclusive, a Álvaro de Campos.
Muitos dos debates relativos aos autores modernistas supracitados restringem-se àidentificação de características temáticas que singularizem alguns de seus escritos, como as análises da obra de Álvaro de Campos, realizadas por Joaquim-Francisco Coelho (1988), Álvaro Cardoso Gomes (1988) e Maria Luísa Guerra (1968); e a interpretação dos influxos decadentistas-simbolistas ou de determinadas correntes e subcorrentes do modernismo, como o capítulo intitulado “Decadentismo e Sensacionismoem Mário de Sá-Carneiro”, de Carlos Nunes D’Alge (1997).
O fato é que o debate em torno dos dois autores nunca deixou de existir, mas em contrapartida, ainda há pontos relevantes desconsiderados pela crítica ou olvidados pelos registros historiográficos, os quais exigem uma atenção mais pormenorizada. Assim, nosso trabalho propõe preencher essa lacuna gnosiológica mediante abordagem emque interatuem, analogicamente, as poéticas de Mário de Sá-Carneiro e de Álvaro de Campos, por meio da confrontação de alguns textos líricos.
A partir das temáticas centrais desenvolvidas por Sá Carneiro, a saber, a busca, no labirinto do “eu”, de sua identidade conflituosa entre idealidade e realidade, e a quimera de transcender ao Além, objetivamos ilustrar a forma como estas, aparecendotambém na lírica de Álvaro de Campos, transfiguram similitudes e particularidades. Partindo de trechos de alguns poemas da primeira e da terceira fases deste, buscaremos efetuar um diálogo com os poemas: “Sete”, “Dispersão” e “Quase” do outro, resgatando como se dão esses reflexos, ou reminiscências, ao pô-los simultaneamente em confronto. Nesse embate, procuraremos evidenciar nossa suposição de...
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