Iirsa: desvendando interesses

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IIRSA
Desvendando os Interesses

Documento elaborado por Maria da Conceição Carrion e Elisangela Soldatelli Paim

Fevereiro de 2006

IIRSA
Desvendando os Interesses
Documento elaborado por Maria da Conceição Carrion e Elisangela Soldatelli Paim Revisão: Nely Blauth Projeto Gráfico: Daniele Sallaberry Núcleo Amigos da Terra/ Brasil www.natbrasil.org.br natbrasil@natbrasil.org.brFevereiro 2006

APRESENTAÇÃO O presente texto aborda a questão da Iniciativa de Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-americana (IIRSA), acordo estabelecido entre os doze governos sul-americanos (agosto/setembro, 2000, Brasília), com o apoio técnico-financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Corporação Andina de Fomento (CAF) e do Fondo Financiero para el Desarrollo de laCuenca del Plata (FONPLATA). Este acordo resultou em um mega-plano de integração física do Continente, processo multisetorial que pretende integrar as áreas de transporte, energia e telecomunicações. Este documento trata-se de uma compilação de trabalhos elaborados por Ongs e pessoas que estudam o assunto, com o objetivo de condensar informações e análises consideradas relevantes para o entendimentoda questão. Ao produzir este texto, pensamos estar colaborando com a divulgação de um tema que interfere diretamente na vida da população do continente Sulamericano e que, até o momento, é pouco conhecido, principalmente, pela falta de transparência no processo de implementação conduzido pelos governos da região e pelas instituições financeiras envolvidas. Baseamo-nos, prioritariamente em doisestudos: É esta Integração que Queremos? (Elisangela Soldatelli Paim, 2003), e A Integração Sul-americana e o Brasil: o protagonismo brasileiro na implementação da IIRSA (Guilherme Carvalho, 2004), respectivamente pela qualidade das informações técnicas e pelos pressupostos teóricos que embasam a análise política. Por se tratar de um texto que tem como objetivo sistematizar o que há de mais relevantee ampliar de forma ágil o conhecimento da questão, optamos por não seguir as exigências acadêmicas, a exemplo da conclusão, onde, no lugar de tomarmos uma posição fechada, preferimos expor “um recorte” das contradições da realidade dos países sulamericanos e, em especial, da realidade brasileira através de fotos e manchetes de jornais, podendo assim, cada leitor formular as suas própriasconclusões.

continente através da interconexão física. Para isto, implantam-se reformas do Estado a fim de facilitar a livre movimentação do grande capital, viabilizada pela implementação dos “Eixos de Integração e Desenvolvimento” para a América do Sul, e dos “Eixos de Integração Nacional”, no caso do Brasil. Através de sua política externa, tendo como principal instrumento econômico o Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo brasileiro tenta consolidar a sua hegemonia neste processo de integração continental.

AS ORIGENS Desde a época de Artigas (Séc. XIX) que se falava na questão da integração sul-americana, naquele momento, com uma conotação muito mais de caráter político-militar, devido às peculiaridades da conjuntura histórica. Com Simon Bolívar surge oHispano Americanismo – formação de uma única nação latino-americana, livre e soberana, alternativa ao Panamericanismo proposto pelos Estados Unidos, diretamente ligado à adoção da Doutrina Monroe (Séc. XIX). Já em 1815, Bolívar lança a idéia de constituição de uma Confederação Americana, de onde resultou, em 1826, no Congresso do Panamá, ao qual não compareceram nem os Estados Unidos, nem o Brasil. Em1889, foi realizada em Washington a 1ª Conferência Panamericana, momento em que os Estados Unidos consolidam a sua política externa contrária às teses bolivarianas. Esta Conferência significou a afirmação da política do governo americano para a América, calcada na Doutrina Monroe, deixando-se a Europa num plano secundário. Houve reação nos países que mantinham relações comerciais privilegiadas...
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