Linguagem, produção de sentidos, retórica e análise do discurso organizacional

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  • Publicado : 25 de diciembre de 2011
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LINGUAGEM, PRODUÇÃO DE SENTIDOS, RETÓRICA E ANÁLISE DO DISCURSO ORGANIZACIONAL

Enquanto o ato de enunciação depende de um enunciador, os sentidos oriundos dessa ação somente podem ser construídos na dialogia, no diálogo elementar entre emissor – receptor. Essa relação, aparentemente objetiva, é dotada de grande complexidade, uma vez que para a produção dos sentidos o emissor reveste osenunciados de intencionalidades expressas na escolha de símbolos e linguagens para transmitir da melhor maneira sua mensagem ao mesmo tempo em que o receptor tem um repertório interpretativo próprio relacionado às particularidades do mesmo como salienta Oliveira (2008, p. 103):

Os sentidos envolvem suposições, deduções, convivência do novo com o tradicional, permanência erupturas construídas de acordo com o repertório e universo histórico, social, cultural e econômico de cada um, direcionando as percepções para lugares diferentes, na (re)construção do sentido a partir de trajetórias e experiências de vida.

As organizações são grandes comunicadoras em função da sua necessidade nata de publicizar suas ações e transmitir informações que colaborem paraestabelecer um bom conceito sobre a entidade e seus produtos e serviços como aponta Halliday (2009, p. 33): Os significados produzidos e expressos por uma organização agregam valor ao seu cabedal, isto é, ao conjunto de bens materiais e imateriais, além de formarem o patrimônio organizacional.
Ainda com relação à necessidade de estabelecer significados nos atos comunicativos, é comum nasorganizações um determinado padrão discursivo identificado por Halliday pelo termo “boas razões” que seriam atos retóricos regrados de argumentação:

O empenho da ação retórica é apresentar “razões para...”. E que sejam satisfatórias – capazes de gerar boa vontade, levar interlocutores a se identificarem uns com os outros, minimizar o impacto de verdades amargas, resolver esuavizar conflitos, fomentar consenso, levar a bom termo uma negociação e, talvez persuadir totalmente na direção desejada pelo retor.

Halliday (2009, p. 36) se baseia em Cooper (1989, p. 163-152) para listar as características imprescindíveis de um discurso eficaz, sinteticamente essas “boas razões”: a) se adéquam ao publico em termos de linguagem pois é preciso que o argumento sejaformulado no nível do entendimento do interlocutor, e que esse argumento ressoe em suas necessidades e lhe pareça razoável; b) preparam terreno para a resposta desejada, isso implica na escolha detalhada: da ordem das informações a serem apresentadas, vocabulário, figuras de linguagem; c) sobrevivem às objeções, e d) são éticas.
Com base nesse entendimento, da necessidade das organizações disporemde meios e métodos retóricos para interagirem, Halliday (2009, p. 45) afere sobre a situação retórica das organizações apresentando as seguintes premissas:

1) As organizações precisam de legitimidade para sobreviver;

2) As organizações precisam comunicar-se para legitimar-se;

3) O discurso organizacional é, quasesempre, uma retórica de legitimação

Esse processo retórico identificado no discurso organizacional[1] busca a legitimação de tudo o que é necessário para a sobrevivência organizacional. Torres Júnior (2009, p.60) oferece mais detalhes sobre o estudo da retórica: “A retórica estuda os meios para se conseguir a audiência de determinada tese que lhe seja demonstrada...”
Um exemplo do usodos métodos retóricos pode ser observado na análise que Alcina Maria Pereira de Souza realiza sobre textos jornalísticos das revistas The Economist de origem inglesa e Visão de Sábado de origem portuguesa, o título desse estudo é: “Retórica e poder: Representações do discurso empresarial em textos multimodais nos media”. Souza[2] evidencia como as revistas citadas se utilizam de estratégias...
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