Noções do acaso

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA
CEART/Departamento de Artes Visuais
Disciplina: Teoria e História da Arte IV
Professora: Rosângela Cherem
Aluna: Ana Lorena Covacivich
2 de dezembro de 2011

Noções do acaso,

automatismo como palavra chave e a libido que tudo o permeia.

“Lo cotidiano, sin embargo, ¿no es una manifestación admirable y modesta de loabsurdo? Y cortar las amarras lógicas, ¿no implica la única y verdadera posibilidad de aventura? ¿Por qué no ser pueriles, ya que sentimos el cansancio de repetir los gestos de los que hace 70 siglos están bajo tierra? Y, ¿cuál sería la razón de no admitir cualquier probabilidad de rejuvenecimiento?”

Oliverio Girondo, París, diciembre 1922

O acaso como despersonalização

Em oposição auma arte racional, Duchamp vem através de um gesto totalmente inovador, a questionar as relações que se estabelecem entre a obra, seu criador e o público. Nesse movimento, estabelece uma distância entre o artista e a sua produção, subvertendo os laços emocionais e biográficos que poderiam vinculá-los. Desta forma, adjudica ao acaso o poder de seleção dos objetos, que virá deslocar do mundo docotidiano ou “real”, ao mundo da “arte”.

É este movimento que cobra significado, e que vem para levantar as questões que passam a ser importantes e em direção as quais quer chamar a nossa atenção, e não mais, a marca da autenticidade e da originalidade que se evidenciavam no passado.

“Evidentemente, uma das respostas sugeridas pelos ready-mades, é a de que um trabalho de arte pode não serum objeto físico, mas sim uma questão, e que seria possível reconsiderar a criação artística, portanto, como assumindo uma forma perfeitamente legítima no ato especulativo de formular questões” (KRAUSS 1998)

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Duchamp, The Bicycle Wheel   1913

A pergunta que subjaz no seu trabalho, na concepção dos seus ready-mades é: “O que “faz” uma obra de arte”. Fascinado com as criaçõesrealizadas por Roussel através de um jogo de automatismo, Duchamp percebe as novas possibilidades de relação que se poderiam constituir entre uma obra cunhada desta maneira, e o espectador, que segundo sua compreensão, estaria libertado agora da profunda carga de subjetividade do artista.

Um objeto comum, que é transformado a causa de sua re-colocação “concentra toda a atenção na curiosidade de suaprodução” e “se torna ‘transparente’ a seu significado”(KRAUSS 1998)

A obra de Duchamp nos faz refletir sobre as significações que nós, como espectadores, projetamos sobre obra, será então válido atribuir a elas um conteúdo implícito e propositalmente colocado pelo artista?

Os ready-mades se confrontan com cualquer possibilidade de narrativa pessoal, evidenciando outra vez a intenção de seafastar da ideia de autoria, rompendo com uma tradição que os precede.

O acaso como projeção

“o dadaísmo pretendia destruir os embustes da razão e descobrir uma ordem desarrazoada.” Jean Arp (KRAUSS 1998)

O acaso também joga aqui um papel de preponderância, só que cobra significações diferentes às de Duchamp, pois em vez de ser usado como umartifício para a despersonalização da arte, é concebido como uma projeção do inconsciente, dos desejos que habitam o interior. Segundo a receita para fazer um poema de Tzara, mesmo escolhendo as palavras aleatoriamente, o poema acabará se parecendo com quem o produz.

Nascido do horror à guerra, o dadaísmo se levanta contra o poder da racionalidade, que levou à humanidade a vivenciar oabsurdo da guerra. “O inimigo do dadaismo era o a priori, o poder da razão e, mais particularmente, a razão como veículo de poder.” (KRAUSS 1998)

Francis Picabia, um dos integrantes do movimento, discorreu sobre “a máquina”, desta vez para livrar com ela uma batalha. Para posicionar-se contra este emblema do “progresso” da modernidade, invenção de uma ciência e uma razão que foram capazes de...
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