O alinhamento pró-estados unidos da fonologia no brasil

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O alinhamento pró-Estados Unidos da Fonologia no Brasil
Wilmar da Rocha D’Angelis
IEL-UNICAMP
A fonologia da vertente do Círculo de Praga – seguida por Câmara Jr. – não deixou seguidores entre lingüistas no Brasil, onde assistimos à vitória hegemônica da vertente estruturalista distribucionalista norte-americana. Com suas limitações teóricas e seu empirismo exacerbado, essa perspectivaengessou o tratamento da fonologia do Português Brasileiro e provocou o abandono das intuições mais perspicazes da abordagem do próprio Mattoso. Ela também comprometeu o tratamento da fonologia de grande parte das línguas autóctones brasileiras, ao mesmo tempo em que foi responsável pela formação de gerações de lingüistas em nosso país. Sua vitória não correspondeu apenas a um embate acadêmico, masintegrou um processo latino-americano de alinhamento pró-Estados Unidos que, na Fonologia, ainda mostra uma sobrevida. Phonology of the Prague Scholl – followed by Câmara Jr – did not leave followers between Brazilian linguists, since in this country we watched the hegemonic victory of the distributionalist Structuralism of North America. With its theoretical limitations and its exasperate empiricism,this perspective confined the treatment of the Brazilian Portuguese’s Phonology and led to the abandonment of the most interesting intuitions of Mattoso’s approach. It also impaired the treatment of the phonological component of great part of the native languages in Brazil, and at the same time, it was responsible for the formation of generations of linguists in our country. Its victory did notcorrespond only to an academic dispute, but it integrated a Latin American process of alignment with the United States, which, in Phonology, still survives.

Introdução

Convidado a incluir um trabalho lingüístico na coletânea que homenageia o professor John Robert Schmitz, comecei a escrevê-lo por uma epígrafe, tomada a Trubetzkoy, do clássico Imediatamente, porém, aquela passagem me remeteu aopresente texto, ainda não publicado, que apresentara (em 2002) em um
Grundzüge der Phonologie.

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Rev. Brasileira de Lingüística Aplicada, v. 4, n. 1, 2004

evento acadêmico.1 Acabara de reler alguns dos muitos escritos do Prof. John Schmitz, dos últimos quatro anos, em torno de um polêmico Projeto de Lei que pretende proibir o uso de palavras estrangeiras em nossa língua, eidentifiquei, no meu texto, o mesmo espírito crítico e o mesmo compromisso social (ainda que não a mesma clareza) com que o nosso homenageado se ocupa de discutir os temas da lingüística que lhe atraem. Significativa, aliás, a seguinte observação dele próprio, em um dos textos mencionados, acerca de um artigo que submetera a um grande jornal de circulação nacional:
O artigo foi recusado pelo jornal por nãose tratar, segundo a jornalista encarregada, de um “tema de política” (é interessante que o tema de estrangeirismos em português seja classificado pelos jornais como tema de natureza cultural). (SCHMITZ, 2001, p. 88).

É essa postura crítica e perspicácia política, que não se separa de sua pesquisa e seus escritos em lingüística, que gostaria de homenagear, com o presente texto, nossobrasileiríssimo mestre e colega, Professor John. Já foi apontado, por Yonne Leite (1990, p. 35), que a linha de análise fonológica “vencedora”, em nosso país, não foi a de Mattoso Câmara Jr., considerado o “pai da Lingüística” no Brasil. Adepto da fonologia na vertente do Círculo de Praga, Mattoso Câmara não deixou seguidores, cedendo lugar à ascensão, nos estudos lingüísticos brasileiros, da vertente doestruturalismo distribucionalista norteamericano. O que cumpre discutir, porém, é: que conseqüências teve, para os estudos fonológicos no Brasil, esse alinhamento pró-americano? Essa comunicação pretende argumentar a favor da tese segundo a qual as limitações teóricas do referido modelo norte-americano, com seu empirismo exacerbado, engessaram as abordagens da fonologia do Português Brasileiro,...
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