Sentidos da sexualidade na produção do conhecimento das ciências sociais

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  • Publicado : 13 de junio de 2011
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Autor: Doutorando Marcelo Henrique Gonçalves de Miranda
• Introdução
Este texto tem como finalidade abordar o campo da produção de conhecimento das ciências sociais no que diz respeito à sexualidade, sem esgotar todo o debate sobre essa temática. O foco recai sobre o pensador Michel Foucault visto que o mesmo dedicou parte de sua produção intelectual a analisar a sexualidade para a sociedademoderna e sua relação com a produção de verdade e poder. Tal relação foi materializada numa Ciência Sexual em contraposição à Arte Erótica de grandes civilizações.
Vale à pena ressaltar que a escolha por Foucault é justificada pelo fato do mesmo ser referência no campo dos estudos sobre sexualidade e por ser citados em quase todos os trabalhos que abordam a sexualidade como uma produçãosócio-cultural. Seja criticando parte da perspectiva de Foucault ou concordando com ela, mas o autor não deixa de ser citado principalmente pela sua obra dos três volumes sobre a História da Sexualidade.
Sendo assim, será abordada a relação da sexualidade com as ciências sociais e de como no século XX outros fatores contingenciais influenciaram para que essa temática ganhasse mais espaço; em seguidatratar-se-á do pensamento de Foucault sobre a subjetivação e a criação de identidades sexuais nos indivíduos, via a produção de verdades e poder disciplinador; finalmente, analisar-se-á a partir das práticas de liberdades e resistências à heterossexualidade compulsória as representações de personagens homossexuais e de gênero alguns filmes e em algumas telenovelas “das oito” da Rede Globo que trazem abaila desde 2005 personagens gays que a princípio não reproduzem estereótipos socialmente sancionados.

• As ciências sociais e a sexualidade
A produção de conhecimento, como nos fala Jane Flax (1992) em relação à teoria feminista, no que diz respeito ao campo das ciências sociais e os seus temas de estudo, assim como em outras áreas do conhecimento, vem permeada por condições históricas,sócio-culturais e políticas que determinam o tema, a tônica e inclusive o olhar do próprio pesquisador, pois ele está inserido num tempo e espaço.
Quando se trata da sexualidade a produção de conhecimento não poderia ser diferente do exposto à cima. Mas que caminhos a sexualidade vem tomando nessa área de saber? De que maneira ela está sendo privilegiada? E que concepções a sexualidade assume?Heilborn (1999), ao focar o olhar das ciências sociais em relação à sexualidade, nos expõe que há vários motivos que acabam privilegiando a sexualidade como um campo de estudo na contemporaneidade. Mas para se perceber esse movimento, faz-se necessário entender o contexto da sociedade ocidental do final do século XX que elegeu questões relativas à intimidade, à vida privada, à afetividade e àsexualidade (Grossi et all 1999; Heilborn, 1999) tais como: A transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas, de Giddens, 1993; A Dominação Masculina, Bourdieu, 1999; A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura: o poder da identidade, de Castells, 1999; O Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços Humanos, de Bauman, 2003 como centro de reflexões sobre aconstrução da pessoa moderna. Para Heilborn, duas faces compõem a personagem do indivíduo moderno:
uma delas refere-se à sua constituição como sujeito político, livre, autônomo, portador de direitos de cidadania (...); a outra alude à sua fabricação subjetiva, por múltiplos dispositivos disciplinares, que tornam as experiências do gênero e da sexualidade centrais para a constituição das identidades.(1999, p. 08).
Outros fatos contribuíram para um novo impulso nos estudos sobre a sexualidade. O uso da pílula como método anticonceptivo que separou procriação e prazer sexual na década de 1960; a epidemia do HIV/AIDS na década de 1980; os estudos de gênero mantêm uma relação íntima com a sexualidade além de estarem ligados aos movimentos sociais – o feminismo e o de liberação homossexual...
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