A importância do ensino da história e teoria da arquitetura

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A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA HISTÓRIA E TEORIA DA ARQUITETURA

Sem vergonha não o digo, que a razão
De algum não ser por versos excelentes
É não se ver prezado o verso e rima,
Porque quem não sabe arte, não a estima.
CAMÕES.Os Lusíadas, Canto V,
estrofe XCVII.

A HISTÓRIA DA ARQUITETURA É A HISTÓRIA DA ARQUITETURA.

Esta frase, cunhada a partir de uma afirmação a respeito da abordagemhistórica da filosofia, serve como um alerta inicial sobre o perigo de se tratar a história da arquitetura como história geral, em que a disciplina da qual fazemos parte aparece como um componente em pé de igualdade com os demais.

Embora seja óbvio que, para que se possa tentar entender uma sucessão de fatos arquitetônicos ao longo do tempo é preciso situá-los num contexto em que todos osextratos históricos estejam presentes, por outro deve ficar claro que o extrato arquitetônico deve ser o fio condutor de tal explicação.

E qual é o papel da história em um curso de arquitetura? Certamente não é o de fornecer elementos para uma prática baseada na imitação. Como bem o disse Manfredo Tafuri , “o estudo da história visa dissolver a nostalgia, não estimulá-la. O seu conhecimento evita oridículo do anacronismo”.

A história é uma forma de acesso ao conhecimento da nossa disciplina, na única maneira em que se apresenta à nossa experiência, isto é, como estratificação de hipóteses, soluções, êxitos e fracassos, como sedimentação histórica considerada num momento de transformação: o hoje. A história não deve ser confundida com o passado, pois é uma construção sempre contemporâneabaseada em uma dialética entre passado e presente, e orientada pelo interesse de quem a produz.

A história da arquitetura que interessa à prática de projeto é aquela que está voltada para o descobrimento de seus valores universais e suas aplicações circunstanciais, explicando porque determinadas obras de arquitetura são como são.

TEORIA E PRÁTICA

Duas concepções referentes às relações entreteoria e prática ainda são bastante comuns. Uma delas separa os arquitetos em dois tipos: os teóricos e os práticos. A outra, oriunda da Academia de Belas Artes francesa do século XIX sustenta a suposição ingênua de que existe uma teoria geral separada da prática realizada em ateliê.

Em conjunto, as duas concepções sugerem a independência entre teoria e prática. Além de independentes, sãocomparadas de uma maneira em que uma sempre aparece como mais relevante: ora a teoria é vista como diletantismo inconseqüente, ora a prática é classificada como repetição mecânica de fórmulas recebidas.

Soma-se à concepção da independência da teoria o descrédito conferido à maior parte das tentativas de estruturar um discurso teórico especificamente arquitetônico. Isso se deve principalmente aexemplos em que as elaborações teóricas se caracterizam por serem autoreferenciais e autosegregadas, fugindo do único objetivo da teoria, que deve ser incidir sobre o trabalho prático.

Vai no mesmo sentido a seguinte declaração do arquiteto catalão Helio Piñon:

“Menos ainda se deve associar a teoria a uma atividade alternativa à prática do projeto, praticada por espíritos pouco inclinados oucapacitados para a concepção formal: de nada serve a mais atilada observação teórica se não contribui para a intensificação do entendimento visual, condição necessária da capacidade de julgar e, portanto, de conceber”

É preciso ter muito claro que entre teoria e prática não existe contraposição e, menos ainda, exclusão, mas plena complementariedade. Não pode haver teoria que não se alimente dosresultados práticos, nem existe prática que vá além da simples reprodução mecânica do existente que não se apoie em reflexão de caráter teórico. Outro mal entendido clássico é a visão da teoria como algo que precede e orienta a prática de projeto.

“A teoria não deve ser entendida como um manual de instruções para o projeto; não se trata de um método operativo camuflado por uma roupagem...
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